18/06/2014 - Copa não anima bares e restaurantes de Recife

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Movimento não é o esperado tanto por conta dos estrangeiros, quanto pelos clientes locais

 

Para donos de bares e restaurantes que sonharam com o tão esperado aumento na movimentação do negócio durante a Copa do Mundo, o sentimento é de frustração. Pelo menos até agora. Apesar de toda expectativa com relação ao Mundial, o que se pode perceber nesses primeiros dias de campeonato são estabelecimentos com uma frequência um tanto quanto incerta.

Foi o que constatou o diretor-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Valter Jarocki. “Até agora, o desempenho não tem sido bom”. Jarocki avalia que bares da Zona Sul do Recife, onde não há uma presença significativa de hotéis, tendem a ter um melhor movimento do que os que estão em outras áreas da cidade. Análise da qual Marcos Romero de Araújo, dono do Bar da Fava, no Pina, discorda. “Esperava um movimento melhor. Até quando as copas (do Mundo) eram em outro país tínhamos um aumento na quantidade de clientes”, afirma. Romero conta que, no dia da abertura do Mundial, a passagem de gente pelo bar foi considerável, mas que, no final de semana, caiu em 30%.

Apesar de ter recebido um grande grupo de mexicanos por duas vezes em menos de uma semana, Robson Moraes, proprietário do Restaurante Estrela do Mar, localizado bairro da Madalena, não está satisfeito com a movimentação no estabelecimento. “Tivemos uma queda de 20%”, relata. Para Robson, o que dá respaldo ao restaurante são os turistas, pois, segundo ele, o público recifense está bastante ausente. “Talvez as pessoas estejam se reunindo mais em casa mesmo”, opinou.

Para Valter Jarocki, a comodidade de assistir aos jogos no sofá de casa pode atrapalhar o desempenho dos bares e restaurantes. No entanto, para Jarocki, a quantidade de turistas não será suficiente para cobrir a ausência do público local. Outro ponto que Jarocki enxerga que vai de encontro ao segmento é a Operação Lei Seca. “As pessoas estão preocupadas em beber e dirigir”, afirma. Segundo ele, após a implementação das blitzes, o movimento dos bares caiu mais de 30%. Além desses dois entraves, o ponto facultativo em dias de jogos do Brasil também prejudica o setor.

Para driblar esse obstáculo e tentar ter um maior faturamento, alguns estabelecimentos têm implementado promoções para chamar a atenção dos clientes “Os bares que anunciaram anteriormente esse tipo de ação, devem ter um bom resultado”, opina Jarocki. Foi o caso do Bar Sr. Chopp, no bairro do Espinheiro, que montou uma estrutura com telão, cobertura no estacionamento e promoções. O gerente do estabelecimento, Samuel Moura, avalia de forma positiva a medida. O movimento foi acima do esperado”.

 

Segredo é o bom atendimento

Apesar da fraca movimentação nesses primeiros dias, o diretor-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Valter Jarocki, avalia que um bom caminho para atrair um maior número de clientes-turistas é oferecer uma equipe preparada e serviços que facilitem a vida deles na hora de fazer um pedido, como um cardápio bilíngue. “Essa é uma forma de agradar o turista e de mostrar que está preocupado com ele”, diz Jarocki.

Por conta do Mundial, o Bar Entre Amigos – Praia ofereceu aos garçons e a outros funcionários um curso de idiomas, além de um treinamento sobre como recepcionar turistas. A medida foi adotada pelo bar e, segundo um dos sócios, Eduardo Farias, aprovada. “Sem dúvida, melhorou bastante o contato garçom-cliente, pois nossos funcionários acabam interagindo, o que atrai o turista e faz com que ele acabe voltando”, relata. O estabelecimento também disponibiliza um cardápio em inglês, o que, para Eduardo Farias, demonstra ao estrangeiro uma preocupação do bar em prestar um bom serviço.

Para os canadenses Juliette, Murray e James Mollard, o fato de saberem poucas (ou quase nenhuma) palavras em português acaba desencadeando neles habilidades como imitação e atuação. “Quando não sabemos o que está escrito no cardápio, temos que fazer mímicas”, disse Murray. Outra tática utilizada pela família é identificar palavras similares nos cardápios. “Entendemos que ‘promoção’ é parecida com ‘promotion’, que significa oferta em inglês. E assim vamos nos virando’, exemplificou James. Já para a garçonete Ariane Rodrigues, que sabe falar o bom e velho “portunhol”, quando o cliente somente fala inglês, por exemplo, o método é outro: “Quando não entendo, tento a boa camaradagem e o gesto com os dedos”.

 

Fonte: Folha PE