04/06/2014 - Equipe motivada é sinônimo de lucratividade

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Especialistas e empresários dão dicas de como manter o grupo harmonioso, satisfeito e elevar a produtividade

 

Qual o segredo para ter um negócio seja bem-sucedido? Seria ótimo se existisse uma fórmula mágica. Porém, não há. O êxito depende de uma série de ações e decisões que precisam ser tomadas, e bem executadas. Um dos pontos que mais demandam atenção do empresário diz respeito ao capital humano, ou seja, as pessoas que trabalham no estabelecimento.

Manter uma equipe, por menor que seja, motivada, pode trazer uma série de benefícios, que refletem não apenas no caixa do bar ou restaurante, como também na satisfação dos clientes e do próprio empregado. Marcos Souza, diretor da Superação Treinamentos e Consultoria, explica que, em média, uma equipe atenderá bem os consumidores na mesma medida em que é atendida dentro da empresa. Uma das maiores necessidades de qualquer indivíduo é justamente a motivação, ou seja, um motivo para uma ação. “Quando você investe na motivação diária, pois não adianta uma empresa contratar uma palestra motivacional por ano achando que fez sua parte, você está investindo em seu cliente. Cabe a cada gerente estar atento a sua equipe, aproveitando para motivá-los sempre que possível” explica.

Souza alerta, no entanto, que nem sempre uma equipe motivada produz o resultado desejado, uma vez que a motivação é a energia, o combustível do carro e a estratégia é o volante que dá a direção ao carro. “Já vi muitas pessoas compromissadas em fazer algo, mas a ação estava totalmente desordenada, drástica ou infrutífera. Inclusive, o presídio está cheio de pessoas que tiveram uma forte motivação para cometer algum crime. Tanto que um delegado quando está conduzindo um inquérito busca sempre o corpo da vítima, a arma e, principalmente, a motivação do crime. Então, melhor do que uma equipe motivada é uma equipe motivada para promover um excelente atendimento a fim de conquistar um fã-clube para a empresa e rentabilidade para manter o negócio sustentável em longo prazo”, explica.

A motivação, entretanto, para Cláudio Tomanini, professor no MBA da Fundação Getulio Varga (FGV), não é algo que alguém pode dar ao outro, visto que está dentro de cada um. “Em alguns, a motivação pode estar escondida, em outros, até morta. Nada, nem ninguém, podem transformar isso, a não ser a própria pessoa”, explica. Qual a solução? De acordo com Tomanini, é conhecer a equipe. Saber quais são suas limitações, prestar atenção exatamente onde estão os problemas e entender suas principais dificuldades.

 

Todos saem ganhando

Funcionários que atendem os clientes de forma exemplar, de acordo com Tomanini, são aqueles motivados pelos patrões. Adotando a postura de sempre estimular seus empregados a se dedicarem ao trabalho, a rentabilidade é certa. Isso porque, de acordo com ele, a chave da motivação pode ser resumida em três elementos: reconhecimento, recompensa e capacitação. O empregado que tem o trabalho desmerecido pelo patrão, não prevê chances de crescimento na empresa e dificilmente oferecerá sorrisos e gentilezas ao cliente. Quem sai perdendo é o empresário.

Luiz Gabriel Tiago, diretor da SGEC Brasil – Sr.Gentileza Educação Corporativa – diz que a gentileza começa com o próprio “eu” e tem o poder de se espalhar naturalmente entre as pessoas que convivemos. Se não formos gentis com nós mesmos, não seremos capazes de promover a gentileza. “Quero dizer com isso que a motivação beneficia, em primeiro lugar, a quem está motivado. Ações positivas geram resultados positivos, como o bom faturamento, o relacionamento interpessoal saudável e, o que quase ninguém associa à motivação, que é a sensação de dever cumprido”, explica. Esse último, de acordo com ele, é responsável pelo bem-estar de ter realizado suas tarefas com profissionalismo e contribuído para o sucesso coletivo. Com isso, ganha a empresa e, antes dela, o indivíduo que se dedicou e acreditou no seu próprio potencial.

 

Fazendo a diferença

Inaugurado em 1994, o restaurante Atrium fica no Paço Imperial, na Praça Quinze - Rio de Janeiro. A proprietária, Vera Helena Datz, antes de se tornar dona do próprio restaurante já havia atuado como garçonete e gerente em outros estabelecimentos. A experiência ajudou a despertar o sentimento de constante preocupação com o bem-estar das pessoas que trabalham para ela.

“Todos aqui, desde o caixa, até os garçons, ganham com o bom movimento do restaurante. Quanto maior a receita, maior a comissão deles”, garante.

União, cumplicidade e respeito são coisas que também não faltam no Atrium. “Os empregados sabem que se quiserem conversar comigo, terão abertura e serão ouvidos. Busco escutar e entender eles”, explica. Para Vera Helena, essa cumplicidade e respeito são essenciais para manter seus funcionários motivados. Além disso, essas iniciativas contribuem para reduzir a rotatividade, o que é vantajoso para todos.

 

Engajando a equipe

Daniel Santoro, sócio-diretor do Grupo Dado Bier – rede com cinco restaurantes em Porto Alegre (RS) e primeira microcervejaria do Brasil – não abre mão de manter as equipes engajadas e motivadas. Para isso, no entanto, ele precisa de profissionais capacitados e aptos a exercer suas funções, tanto individuais como coletivas, e aí sim engajados e motivados para da o melhor de si na busca da satisfação dos clientes e de bons resultados para o negócio. “Caso a equipe seja qualificada, mas não esteja empenhada ou mobilizada para a busca das metas, certamente, em médio e longo prazo, o negócio perecerá”, avalia.

Entretanto, Santoro frisa que “todo o trabalho de motivação precisa ser, em primeiro lugar, legítimo, verdadeiro e, a partir daí, é necessário estruturá-lo de forma que se torne um processo e possa permear toda a organização. Somente assim, será possível produzir resultados, não só a curto prazo, mas, principalmente, a longo prazo”, conclui.

 

Fonte: Revista Meu Negócio Minha Vida nº8 *Matéria na íntegra disponível na versão impressa