02/06/2014 - Você troca o dia pela noite?

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Saiba as principais consequências de dormir pouco e como contornar o problema

 

Ser proprietário de bar ou restaurante demanda dedicação em tempo integral do empresário. Em muitos casos, esse compromisso com o negócio também se estende pela madrugada, o que faz com que muitas pessoas troquem a noite de sono, por uma soneca durante o dia. Porém, os especialistas alertam que as consequências desse péssimo hábito podem ser desastrosas para a saúde a curto, médio e longo prazos.

Dormir entre seis e oito horas por dia é fundamental para manter a saúde do corpo e da mente, uma vez que é nesse momento que o organismo se recupera de um possível débito energético estabelecido enquanto as pessoas se mantêm acordadas. Além disso, contribui para a manutenção do equilíbrio geral do organismo, das substâncias químicas no cérebro que regulam o ciclo vigília-sono, consolidação da memória, conservação de energia e regulação da temperatura corporal.

Segundo Luciana Palombini, médica do Instituto do Sono de São Paulo, quem não consegue cumprir ao menos sete horas diárias de sono pode ter uma série de prejuízos para a saúde, não apenas no dia seguinte à noite mal dormida, como irritabilidade, cansaço, dificuldade de memorização e de se manter alerta. Ao longo dos anos, os danos podem ser ainda piores, como hipertensão, ansiedade, depressão, prejuízo na capacidade cognitiva, risco de doenças cardíacas, alterações nofuncionamento do sistema imunológico, tendência a obesidade e diabetes.

Problemas de origem gastrintestinal também podem afetar quem trabalha à noite, como azia, má digestão, úlceras gástricas, irritações do cólon e dificuldades em manter a regularidade intestinal. Isso porque muitos descuidam da alimentação.

 

Amenizando os problemas

A grande questão, de acordo com Luciana, é conseguir manter a regularidade da hora de se deitar. “Se uma pessoa conseguir dormir ao menos sete horas por dia, de maneira ininterrupta, mantendo uma regularidade no horário de ir se deitar e realizando o que chamamos de higiene do sono, não é tão prejudicial à saúde. O problema é a irregularidade e as interrupções no sono”, explica a médica. A principal questão, de acordo com ela é que, quem dorme tarde acaba tendo poucas horas de sono devido a vários fatores que atrapalham o descanso, tais como luminosidade e barulho.

Para que o sono seja o mais tranquilo possível, Luciana dá algumas dicas. “Primeiro não marque nada para muito cedo no dia seguinte. O local onde for dormir precisa ser arejado, silencioso e escuro. Se houver barulho e luz o sono ficará perturbado. Para evitar esses problemas pode-se usar protetores auriculares e máscara para dormir”.

Se ainda assim não conseguir dormir o suficiente, uma cochilada de 30 a 40 minutos após o almoço pode ajudar a revigorar as energias. Outra dica da médica é não comer nada pesado demais antes de ir dormir, como frituras massas e carnes. O ideal é alimentar-se com frutas, sopas ou um iogurte, por exemplo.

 

Insônia

De tão acelerados durante todo o dia, muitas pessoas reclamam que se deitam e não conseguem dormir com facilidade. Outros fatores que também contribuem para a insônia são a ansiedade, depressão, uso de alguns medicamentos em longo prazo e de bebida alcoólica; no último caso, principalmente após a suspensão do consumo.

Para que esse momento essencial de descanso não se torne um martírio, a higiene do sono deve ser complementada com alguns cuidados simples. “As pessoas estão cada vez mais conectadas, respondendo a todo momento a mensagens do WhatsApp, verificando Facebook, postando no Twitter. Isso tudo deve ser evitado,assim como assistir tevê. Alimentos como café e outros que contenham estimulantes também não devem ser ingeridos de três a quatro horas antes de se deitar”, explica Luciana.

 

Apneia

O número de episódios de apneia-hipopneia por hora de sono é chamado de índice de distúrbio respiratório. Pessoas com índices maiores do que 5 já são consideradas portadoras de apneia do sono. Mais de 10% da população acima de 65 anos apresentam apneia obstrutiva do sono (AOS). Contudo, estudos mostram que, na faixa etária entre 30 e 60 anos, 9% das mulheres e 24% dos homens apresentavam índices de distúrbio iguais ou maiores do que 5. Cerca de 2% das mulheres e 4% dos homens queixavam-se também de sonolência durante o dia. Em crianças, é possível encontrar episódios em cerca de 1% a 3%, dos casos.

Entre as causas da AOS podem estar um distúrbio provocado por alterações anatômicas e pela diminuição de atividade dos músculos dilatadores da faringe (via aérea superior, posterior à língua), que provocam pausas respiratórias durante a noite e roncos, que culminam mais frequentemente em sonolência e pressão alta.

As consequências da apneia para o indivíduo que sofre com ela podem ser fatais. A mortalidade entre os portadores da síndrome é significativamente mais alta entre os que não recebem tratamento adequado ou entre aqueles que apenas roncam sem experimentar momentos de apneia.

Para se ter um diagnóstico certeiro é necessário procurar ajuda médica. No caso da apneia será realizada uma polissonografia, exame esse que testa durante o sono os potenciais elétricos da atividade cerebral, dos batimentos cardíacos, os movimentos dos olhos, a atividade muscular, o esforço respiratório, a saturação de oxigênio no sangue, o movimento das pernas e outros parâmetros.

“Qualquer que seja o problema, se ele persiste, é recomendável que se procure um médico especialista em sono para que se possa fazer uma investigação mais profunda e buscar a melhor solução para resolver o problema”, conclui Luciana.

 

Fonte: Revista Meu Negócio Minha Vida nº8