05/05/2014 - Perca o nome e se torne um ícone

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Ousada, a simplicidade no design é a chave para superar as barreiras linguisticas e culturais, enquanto cria uma impressão marcante

 

São Paulo - Para um logo se sair bem em um mercado cada vez mais global, ele deve ser construído com base em duas características principais: ser compreendido pro todos e ser consistente em todos os países. Mas como uma marca transmite toda sua essência para aqueles que falam e escrevem em outra língua? Criando um ícone e deixando que ele fale por si só.

No mundo globalizado, uma das ferramentas de comunicação mais poderosas são os símbolos. Pense na sinalização de estrada. É possível viajar por cidades em todo o mundo, pois as imagens das placas são consistentes e universalmente compreendidas.

A sinalização das rodovias ganha ainda mais força por ser visualmente impactante, podemos dizer até memorável. E não é exatamente isso que uma embalagem global busca alcançar? Ousada, a simplicidade no design é a chave para superar as barreiras linguisticas e culturais, enquanto cria uma impressão marcante.

Entre as marcas corporativas, essa tendência está bem estabelecida e conta com uma longa história de sucesso. Uma das primeiras marcas a usar essa estratégia foi a Nike. Sua linha de produtos inovadores, combinada com um marketing agressivo e com o posicionamento que veio sendo consolidado desde os anos 70, ela conseguiu criar uma poderosa ligação mental entre a imagem do Swoosh e o nome da marca.

Com muito capital em sua marca, a Nike sentiu que poderia abandonar seu nome seguindo apenas com o Swoosh em suas campanhas, produtos ou qualquer outra plataforma que o logo pudesse ser aplicado. Embora há um tempo atrás a decisão de retirar o nome da marca de produtos e anúncios seria algo impensável, a Nike consolidou um novo padrão minimalista – que transformou seu logo em um ícone.

No mundo digital, os consumidores encontram ícones em cada clique. Seja um botão que representa uma ação específica, um emoticon que traduza uma emoção ou um logo tradicional elevado a uma representação icônica, as imagens falam mais que palavras na internet – e marcas digitais sabem disso.

Um ícone verdadeiramente bem-sucedido deve ser capaz de, por si só, evocar todas as associações fabricadas que compõe a identidade pública de uma companhia. Apple faz isso. Facebook faz isso. Twitter faz isso. Afinal de contas, como a Nike vem demonstrando, é assim que uma marca se torna onipresente.

Quando o assunto é embalagens, esse fenômeno não deve ser subestimado pelas marcas. Em um tempo onde a tecnologia, o entretenimento e o design são convergentes, ícones simples e sugestivos não chamam só a atenção, eles dirigem o marketing. Pensando em suas embalagens, como as marcas podem se beneficiar da tendência? O aumento das compras pela internet é uma oportunidade.

Hoje em dia, designers de embalagens devem pensar além da prateleira do supermercado e imaginar como seu design pode causar impacto, não apenas no ambiente físico, mas no on-line também. Como as marcas podem transmitir significado e valor mesmo quando a reprodução do produto na tela é muito pequena?

O objetivo é criar um símbolo reconhecível que seja de fácil compreenssão – um ícone que se sustente por conta própria.

Para ter sucesso nesse processo de criação de um ícone, uma marca deve construí-lo significativamente, em suas ações. Isso significa começar com uma ideia consistente de marca, focalizando a essência da marca e capturando essa essência através de um símbolo.

No caminho para se tornar um ícone, marcas que influenciam seus comsumidores por meio de uma simbologia efetiva, causam impacto no PDV, direcionam a escolha, alcançam diferenciação e também conseguem criar consistência e apelo universal em todos os mercados.

Levou 40 anos para a Starbucks retirar seu nome do logo. Quanto tempo vai demorar para as marcas enxergarem os benefícios de um logo sem texto em suas embalagens?

Seja o tempo que for, os ícones transcendem a linguagem, tornando-se a forma de comunicação perfeita para o mundo atual – uma aldeia globalizada que fala diversas línguas, mas que compartilha de símbolos comuns.

 

Fonte: Revista Exame