14/04/2014 - Intimista e personalizada, culinária slow food agrada e conquista clientes

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Pratos são preparados com calma e ao gosto do cliente. Poucos restaurantes investem neste estilo praticamente desconhecido

 

Comum na Europa, a culinária no estilo slow food é pouquíssimo difundida no Brasil, embora alguns estabelecimentos invistam no estilo. Trata-se de um restaurante que tem um outro olhar sobre a gastronomia e a relação com o cliente. Ele se distancia do foco estritamente comercial e oferece um ambiente intimista, onde os chefs abrem as portas de suas casas para receber clientes como se fossem visitas para preparar suas próprias receitas.

Neste tipo de restaurante, como o nome já indica, é importante não ter pressa. Como o serviço é personalizado, os pratos são preparados com calma, especialmente para o cliente e para aquela ocasião específica. Músicas tranquilas num clima exclusivo e acolhedor embalam a refeição.

A quantidade de clientes é limitada, pois não há funcionários suficientes para atender uma grande demanda. Em alguns casos, o próprio dono do estabelecimento se desdobra como anfitrião e dentro da cozinha, pilotando os fogões. Por isso, é necessário sempre ligar e reservar com antecedência.

Na Região dos Lagos do Rio, ao menos 2 restaurantes - um em Armação dos Búzios e outro em Cabo Frio - seguem este estilo: respectivamente, Baroque, de culinária europeia, e Casa da Leela, com cardápios fechados e temáticos. Em ambos, pode-se conferir, de perto, quais as peculiaridades deste serviço diferenciado:

 

Baroque

O casal de proprietários recebe os clientes pessoalmente, com o característico sotaque germânico da Alemanha e República Tcheca, países de origem do maitre alemão Michael Muller e da chef tcheca Ivana Brozeo, sua esposa. Uma casa decorada no estilo barroco, com móveis trazidos de seus países de origem e uma bela coleção de relógios de parede, como num antiquário, é o cenário para uma refeição diferenciada em todos os aspectos. Talheres de prata e cadeiras do início do século passado, tudo à meia luz, transformam qualquer jantar em um evento.

Ivana faz questão de ouvir atentamente os anseios do cliente para, juntos, decidirem o que será servido no jantar. Na área externa, um quadro escrito à mão mostra o 'ranking' dos pratos mais vendidos, o que ajuda bastante na hora da escolha. O alemão completo, a costela defumada ao molho barbecue e o goulash estão sempre bem colocados. Os produtos defumados oferecidos no Baroque são produzidos lá mesmo, pois o casal construiu um forno especificamente para este fim.

 

Casa da Leela

Inaugurado em 2011, em uma simpática casa hexagonal no estilo mediterrâneo um pouco afastada do centro do Peró, bairro de Cabo Frio, a Casa da Leela é a antiga casa de veraneio da proprietária, adquirida na década de 60 e quando o bairro ainda era praticamente inabitado, transformando-se mais de 40 anos depois no restaurante. "Tudo é feito com muito carinho e o tratamento é personalizado. Como chef, eu posso pensar no cardápio direcionado ao cliente que vou receber", afirma a dona, Laura Bucovich, conhecida como Leela (daí o nome do restaurante).

Sempre com reservas, ela prepara um menu fechado, diferenciado a cada semana, para grupos de clientes. Alguns temperos utilizados são da horta que Leela cultiva no jardim da casa. "Eu trabalho com reserva porque preciso saber quantas pessoas eu vou servir. Gosto muito de fazer jantares temáticos, como indiano, espanhol, grego, árabe e francês. Eu adoro criar novos pratos, então acredito que não conseguiria manter um cardápio fixo no restaurante". Alguns destaques da sequência de pratos oferecida são a costelinha de porco, os pasteizinhos de feijoada e o frango ao molho de laranja.

 

Filosofia gastronômica

Michael, Ivana e Leela estão satisfeitos com a escolha do estilo em seus restaurantes. "As ruas principais, como a Rua das Pedras, são ideais para estabelecimentos com um serviço mais rápido e para um público maior. Aqui, nós optamos pela personalização agregada à qualidade", diz Michael Muller. "Slow food é uma comida que não é industrializada. Por exemplo: Enquanto no fast food você coloca o catchup no sanduíche, na slow food eu uso o tomate e preparo, com calma e paciência, o catchup. A batata sempre é descascada momentos antes de servi-la para o cliente", conta Ivana Brozeo. Laura Bucovich, a Leela, resume bem o espírito de seu empreendimento: "Eu digo que eu não tenho um restaurante, e sim, uma casa onde recebo meus amigos que pagam".

 

Serviço

Baroque: Rua das Palmeiras, número 7, em Manguinhos. Tel.: (22) 2623-1605.

Casa da Leela: Rua do Espadarte, 1.000, em Ogiva, no Peró. Tel.: (22) 2648-3264.

 

Fonte: G1 - Globo