10/04/2014 - Receita de restaurantes sobe até 5% em março

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O setor de restaurantes, que no primeiro semestre do ano passado viu boa parte dos consumidores sumir e a receita encolher, mostrou certa recuperação, fechando 2013 com expansão real de 2,5%. Neste ano, depois de um primeiro bimestre "ruim", as vendas cresceram entre 3% e 5% em março, em relação a igual período de 2013, segundo a Associação Nacional do Restaurantes (ANR).

"Mas a rentabilidade do negócio não está caminhando no mesmo ritmo", diz o seu presidente Cristiano Melles. "Se formos comparar as vendas pelo conceito 'mesmas lojas', o faturamento mostrou-se estável em 2013. A abertura de novas unidades é que trouxe aumento da receita", afirma.

O faturamento do setor de alimentação fora do lar, se for descontada a inflação do ano passado, cresceu 2,5%. A margem de lucro, que havia caído para 8% a 9% na metade do ano, ficou entre 9% e 11% no fim de 2013 para restaurantes da categoria "fine dining".

Mesmo nestes primeiros meses de 2014, "a decisão foi segurar os preços. Mas já há empresa reajustando. Chega uma hora que tem que reajustar", diz Melles, que é sócio das churrascarias Pobre Juan. Nesta rede, o último reajuste foi feito há mais de 12 meses, diz ele. Na Fogo de Chão, rede com 10 churrascarias no Brasil, o preço do rodízio vai subir 5%, passando de R$ 108 para R$ 112, sem considerar bebidas e sobremesas.

A alta dos insumos tem sido forte. Em março, conforme publicou o Valor PRO na segunda-feira, a carne bovina atingiu patamares recordes. Mas o consumidor, assustado com os preços, deixou de comer carne e a carcaça bovina vendida no atacado paulista já caiu cerca de 6% desde o dia 18 de março, quando bateu recorde nominal de R$ 8,32 o quilo, conforme levantamento Cepea/Esalq.

O clima seco também deixou verduras, legumes e frutas mais caros. Segundo a Ceagesp, maior atacadista de produtos agrícolas do Estado de São Paulo, o aumento é de 10,72% nos 12 meses encerrados em março. A boa notícia, segundo a Ceagesp, é que os preços perderam fôlego e devem apresentar retração em abril, principalmente nos setores de legumes e verduras.

O setor de alimentação fora do lar, segundo dados do IBGE, acumula alta de 9,87% nos 12 meses terminados em fevereiro. No mesmo período, a inflação oficial (IPCA) sobe 5,68%.

Para Melles, as empresas do setor precisam se reinventar, buscar maneiras de aumentar a produtividade. O que ele vê como cenário mais provável para o futuro do setor é: funcionários polivalentes, menos pessoal no salão para atender a clientela e mais tecnologia na cozinha. O setor de restaurantes emprega cerca de 6 milhões de pessoas no país e representa algo como 1,45% do PIB. Se for considerada toda a cadeia, incluindo o atacado que abastece bares e restaurantes, esse mercado chega a 4% do PIB, segundo cálculos da ANR.

 

Fonte: Valor Econômico *Para ler a matéria na íntegra, acesse o site do Valor