03/04/14 - Bares e restaurantes reclamam de aumento

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Coca-Cola repassa incremento de até 24% sem prévio aviso

Um recente aumento no preço da linha de produtos da Coca-Cola vem causando confusão no setor de bares e restaurantes do Recife. Desde a semana passada, alguns estabelecimentos já receberam seus novos estoques com reajustes que variam entre 8% (para a linha mais vendida, como latas e garrafas), 20% para as garrafas pet de 500 ml e 24% para a linha de chás (como os da marca Leão). Pelo menos estes foram os números divulgados pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes seção Pernambuco (Abrasel-PE). Mas alguns estabelecimentos já estão comprando com preços novos bem acima disso. Na rede de massas Julietto, presente em vários shoppings, e no bar Biruta, no Pina, por exemplo, o aumento foi maior.

De acordo com André Araújo, dono do Biruta, o aumento se deu na redução do desconto de 23% oferecido ao estabelecimento, no único produto comprado da empresa, as latinhas. A novidade veio ontem. “Infelizmente fomos surpreendidos. Vamos diminuir ainda mais a margem de lucros e tentar aumentar a oferta de opções. Os sucos podem ser uma aposta”, afirmou. “É uma pena porque nosso setor já está sobre cerco. Qualquer coisa assim nos afeta. Não era para acontecer isso às vésperas de uma Copa do Mundo”, lamentou.

Já para a empresária Rose Guareschi, da rede Julietto, o problema foi ainda maior. “Não terei como repassar este aumento, que no meu caso ultrapassou os 30% na linha de sucos, para os consumidores. Acabei de mandar fazer 17 mil cardápios com preços novinhos, já nas lojas. Não vou refazer. Vou ter de absorver este impacto.

” Para o presidente da Abrasel-PE, Nuncio Natrielli, a Coca-Cola precisa explicar sua política de preços. “O porquê de haver aumento de 8% para uns e bem mais em outros. Vamos tentar nos reunir com a empresa, na próxima semana, para termos uma visão melhor da situação”, comentou.

A Solar Coca-Cola, a dona da marca no Brasil, foi procurada pela reportagem, mas não falou sobre os aumentos reclamados no Recife. De acordo com nota, pouco esclarecedora, divulgada pela Assessoria de Imprensa, “o desafio é exatamente diminuir o preço ao consumidor final, melhorando nosso atendimento direto a um maior número de pontos de vendas e oferecendo condições para que o pequeno comerciante tenha mais de nossos produtos para oferecer a seus clientes e não somente parte do mercado”.

A situação pode ficar ainda pior, já que o governo estuda aumentar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para vários setores, incluindo o de bebidas como cervejas e refrigerantes

 

Fonte: Folha PE