14/03/14 - Lazer sem distinção

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Hotel Fazenda Campo dos Sonhos, em Socorro (SP), apostou na responsabilidade social e hoje é referência nacional em atendimento à pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida

“Proporcionar momentos de encanto e felicidade a todas as pessoas que se hospedam ou visitam”. Todas mesmo. No Hotel Fazenda Campo dos Sonhos essa missão se manifesta em cada um dos seus 250 mil metros quadrados de área. Localizado na Serra da Mantiqueira, a seis quilômetros do centro de Socorro (SP), o atendimento à pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida é prioridade.

Em meio à natureza, esse público, assim como os demais, pode aproveitar a série de atividades que a vida no campo oferece. O hotel possui sinalização horizontal e vertical, cardápio e mapa em braile, central de reservas para surdos, espaço para cão guia, rampa de acesso, banheiros e todas as outras acomodações adaptadas, piscina aquecida, estacionamento privativo, entre outros. Mas não é só aí que está seu diferencial.

O Hotel é a primeira empresa no País a ter a certificação em Acessibilidade em Edificações Hoteleiras pela norma ABNT NBR 9050, o que comprova que acessibilidade vai além da estrutura física. Boa parte das atividades de lazer oferecidas pelo Hotel são adaptadas, inclusive as de aventura como tirolesa, rapel, rafting e canoagem.

A comunicação não fica de fora: há um telefone próprio para deficientes auditivos e site com recursos como diminuição dos tamanhos de fontes, alto contraste para pessoas daltônicas e navegação via teclado para pessoas com mobilidade reduzida. Além disso, todos os empregados são preparados para receber esse público. “Desde o início, acreditamos que respeitando o meio ambiente e as pessoas teríamos mais chances de conseguirmos um desenvolvimento rápido e com menor investimento”, explica o proprietário e idealizador do Hotel, José Fernandes Franco.

 

Responsabilidade social

Apesar de ter sido inaugurado em 1º de abril de 1994, foi apenas em 2005 que a questão da acessibilidade tornou-se prioridade nos dois empreendimentos de Fernandes (além do Campo dos Sonhos, ele possui o Parque dos Sonhos, que fica na divisa dos municípios de Socorro/SP e Bueno Brandão/MG), quando o Hotel colaborou com o projeto Aventureiros Especiais, uma parceria entre o Ministério do Turismo e a Organização Não Governamental (ONG) Aventura Especial, para tornar todos os empreendimentos turísticos do Brasil adaptados a esse público.

Juntos, eles se dedicaram ao desenvolvimento de metodologias e equipamentos que viabilizassem a acessibilidade em atividades de turismo. Foi assim que itens como uma cadeira para trilha, com apenas uma roda e guiada por dois condutores, foi criada para que deficientes pudessem participar de trilhas mais fechadas, onde não é possível entrar com cadeira convencional. Da mesma forma, uma cadeirinha de tirolesa adaptada permite que um tetraplégico atravesse um vale a 140m de altura e cerca de um quilômetro de extensão.

“Naquele momento, nossa principal motivação foi a responsabilidade social. Hoje não nos resta dúvidas de que esse passo trouxe também um resultado econômico ao negócio muito acima do esperado”, explica Fernandes.

Idealizado para atender à classe B, o espaço viu seu público ampliar, recebendo também pessoas da classe A. Em 2012, o Campo dos Sonhos recebeu 1.490 pessoas com deficiência. Em 2007, antes das adaptações, o número era de 320. Atualmente, a taxa de ocupação (ao todo são 140 leitos nos 18 apartamentos e 18 chalés) atinge uma média de 80% (para ter uma ideia, a média do mercado é de 45% a 50%). Já a taxa de retorno fica acima de 20%. Em alta temporada, o hotel chega a receber cerca de quatro mil pessoas por mês, entre hóspedes e visitantes.

Fernandes acredita que tamanha procura reforça a escassez de lugares com uma postura inclusiva, o que se contrapõe à demanda - dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em 2012, apontam que o Brasil tem 45,6 milhões de pessoas com deficiência, o que representa quase 24% da população. “Há poucos locais preocupados em investir nessa área e atender à legislação federal”, observa Fernandes. “Vale lembrar que, normalmente, o deficiente não vem sozinho, mas acompanhado de outras duas ou três pessoas. Começamos a receber um contingente muito grande.”

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes ed.95