10/03/14 - Turistas deixam R$ 1 bilhão na cidade durante o Carnaval

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A ocupação hoteleira ficou em 92% dentro do circuito e 88% de maneira geral. Alguns hotéis, como o Ondina Apart e o Vila Galé, conseguiram atingir os 100% de ocupação

Foram apenas quatro dias em Salvador, mas o casal carioca Priscila Davena e Raphael Araújo deixou R$ 14 mil na cidade. Eles ficaram hospedados no Catussaba, em Itapuã, o que significou uma boa quantia gasta com táxi para os circuitos, além do precinho nada camarada do resort.

“Só de hotel, foram quase R$ 3 mil cada um. A gente ainda saiu dois dias no camarote Salvador, um no Reino, teve alimentação...”, contabilizou Priscila, antes de chegar aos R$ 14 mil. Por baixo.

Pensando por esse lado, fica mais fácil entender por que os turistas brasileiros, estrangeiros e baianos de outras cidades deixaram R$ 1 bilhão em Salvador, durante o Carnaval.

Até ontem, a Secretaria Estadual do Turismo (Setur) contabilizou 550 mil visitantes, a maioria, 400 mil, veio de avião, como Priscila e Raphael, que chegaram no sábado, vindos do Rio de Janeiro, e foram embora ontem à tarde. Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Sergipe foram os estados brasileiros que mais enviaram turistas para a capital baiana.

Os gastos do casal ficaram bem acima da média, segundo os dados da Setur. A média individual de gastos foi de R$ 2 mil, com desembolso diário médio de R$ 373. Os gastos preliminares incluem a compra do pacote com hospedagem e bilhete aéreo.

Já durante a folia, a maior parte dos gastos foi para a compra do abadá e camarotes, alimentação e transporte. “Temos turistas que chegaram a gastar R$ 15 mil individualmente, pois são aqueles que alugam embarcações, ficam em hotéis e camarotes top de linha”, afirma o secretário do Turismo, Pedro Galvão. Há também os que gastaram menos, que optam por ficar em casa de parentes e amigos. Esse público representa 40% dos visitantes.

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A ocupação hoteleira ficou em 92% dentro do circuito e 88% de maneira geral. Alguns hotéis, como o Ondina Apart e o Vila Galé, conseguiram atingir os 100% de ocupação. “Houve uma melhora de 4% em relação ao ano passado. A média de ocupação hoteleira este ano foi maior que o Rio de Janeiro durante os seis dias”, comemorou Galvão.

“Até 30 dias antes do Carnaval estávamos apreensivos, mas nos últimos 15 os turistas reagiram à queda de preços nos pacotes e aos voos extras que as companhias aéreas colocaram”, considerou o vice-presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da cidade de Salvador (SHRBS), Sílvio Pessoa.

Alimentação

No setor de bares e restaurantes, o sentimento foi de que houve um movimento bom, só que concentrado num curto período de tempo. “O mais marcante do Carnaval foi a concentração de pessoas em um curto período. Geralmente antes e depois havia mais circulação. Antigamente, as pessoas chegavam mais cedo. Esse Carnaval começou praticamente na sexta-feira, e o fundamental é conseguir a maior permanência na cidade possível, atrair consumidores”, observou Luiz Henrique Amaral, Diretor Executivo da Associação de Bares e Restaurantes da Bahia (Abrasel).

Mas, mesmo num curto período, deu para o empresário Rui Neto faturar bastante. Dono do restaurante Brasil Legal, bem próximo ao Farol da Barra, ele abriu o estabelecimento em todos os dias da folia e em horário estendido. “Normalmente, vendemos 300 refeições por dia. No Carnaval, foram 600, fora as quentinhas que a gente forneceu para os camarotes”, contabilizou Rui. Para o período, ele contratou 15 funcionários temporários, e calcula que obteve um faturamento 80% maior.

Agências

O presidente da Associação Baiana das Agências de Viagens (Abav), José Alves, aprovou o Furdunço (movimento de trios sem cordas, lançado este ano pela prefeitura) e acha que ele deve ser ampliado no ano que vem.

“Este ano, o Furdunço foi excelente, mas poderia ter acontecido uma semana antes – inclusive a prefeitura anunciou que vai botar mais dois dias de Furdunço para o ano que vem. O pessoal do Habeas não sai na sexta? Poderíamos ter Furdunço no sábado, por exemplo. Temos que fazer esse grande bloco, o grande Furdunço. O Furdunço foi o grande sucesso do Carnaval, a prefeitura poderia criar uma situação para atrair mais gente ainda”, sugeriu.

Amaral também reclamou da exclusividade da venda de cervejas no circuito. “Eu acho que (a exclusividade) não foi boa para ninguém a médio e a longo prazos. É o tipo da coisa desnecessária: você consegue patrocínios do mesmo porte sem gerar tanto impasse e sem obstruir a livre iniciativa”, criticou. Colaborou Bruno Wendel.

Fonte: Correio 24 Horas