06/03/14 - Paris incentiva restaurantes para inclusão social

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A possibilidade de utilizar a gastronomia como ferramenta de inclusão social ganhou o mundo com os projetos do chef inglês Jamie Oliver. Mas se essa vertente tem gerado seguidores por toda a parte, na França está se tornando a opção da hora. Especialmente porque o governo local apoia a criação de estabelecimentos ligados à economia social e solidária. Quem conta isso é Madalena Guerra, chef e uma das proprietárias do restaurante Les Marmites Volantes, que fica em Paris, no bairro de La Vilette. A casa ainda não completou dois anos, e os donos já estudam propostas para abrir uma segunda unidade.

Muitos desses projetos ficam em bairros da capital francesa onde há um "mix" social maior. Grande parte deles estão em regiões "bobô" ("bourgeois-bohème"), como eles chamam as áreas com imóveis mais baratos, que entram para o roteiro "cult" ao serem descobertas por artistas e pelo público alternativo.

Nessas zonas, o Le Relais Pantin é um dos pioneiros de inserção: fica num antigo bairro operário que está virando destino "hipster". O restaurante, com mais de 20 anos de existência, foi transformado no fim de 2011 numa sociedade cooperativa de interesse coletivo.

"Somos um restaurante quase como todos os outros", afirmam os proprietários na sua declaração de intenções. "Mas nossa finalidade é permitir que pessoas com dificuldades de conseguir emprego possam trabalhar e se integrar por meio da restauração".

Como os funcionários do Le Relais Pantin são pessoas com dificuldades de conseguir trabalho - essa categoria não abarca apenas limitações físicas, mas imigrantes que dominam mal a língua, analfabetos e pessoas com outros tipos de desvantagens -, o Estado contribui com uma quantia que varia entre 25% a 50% do salário mínimo nacional nos vencimentos de cada um.

Outro exemplo dessa tendência é a "boulangerie" Farinez-vous, a primeira padaria solidária da cidade, aberta em 2009, perto da Gare de Lyon. Ao provar que é possível servir bons croissants, permitir a inserção pelo trabalho e ser viável economicamente, ela virou um "case" de sucesso.

Ali todos os produtos são feitos em casa. Os pães seguem métodos de fabricação tradicional com levain (fermento natural). A fundadora, a jurista Domitille Flichy, se associou a um padeiro para garantir a qualidade dos produtos, mas sua meta sempre foi criar uma empresa fundada em valores humanitários e sociais.

 

Fonte: Valor Econômico - Para ler a matéria na íntegra visite o site do Valor.