24/02/2014 - Food truck vira opção de negócio gastronômico em SP

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Empresários criam pontos de venda em lojas e estacionamento privados enquanto decreto da prefeitura não sai

São Paulo – No final do ano passado, o prefeito Fernando Haddad sancionou uma lei que muda as regras para venda de comida de rua. O que poderia beneficiar vans de cachorro-quente e pipoqueiros virou oportunidade de negócio gastronômico. A lei municipal 15.947/2013 vai regulamentar como poderá ser essa venda e abre espaço para negócios como os food trucks. “O propósito da lei é flexibilizar algumas relações de ambulantes”, afirma Reinaldo Messias, consultor do Sebrae/SP.

Vistos como tendência nos Estados Unidos nos últimos anos, o modelo de um veículo estacionado nas ruas que vende refeições além de um sanduíche começa a surgir no Brasil, com algumas adaptações. “O food truck mostra que é possível entregar produtos de excelente qualidade, com uma assepsia legal a um preço razoável”, conclui Messias.

No projeto dos vereadores Andrea Matarazzo (PSDB), Arselino Tatto (PT), Floriano Pesaro (PSDB), Marco Aurélio Cunha (PSD) e Ricardo Nunes (PMDB), carros com até 6,3 metros de comprimento poderão operar, desde que deixem ao menos 1,2 metro de espaço para pedestres na calçada. Agora, o prefeito deve assinar um decreto até o final deste mês, definindo quais comidas poderão ser vendidas e como será a concessão de autorizações.

Antes mesmo do decreto, o negócio já tem apoio de chefs e restaurantes da cidade. Em São Paulo, a chef Andrea Kauffman, do AK Vila, por exemplo, instalou uma barraca na porta do seu restaurante para vender pratos rápidos e com preços mais em conta. Os chefs Jorge Gonzalez e Marcio Silva foram além. Ao invés de abrir um restaurante e lidar com os altos custos, resolveram criar o Buzina Brasil, um veículo que vende de lanches a massas em pontos estratégicos. “A ideia surgiu pela questão do investimento que não é tão alto e da nossa vontade de ter mais contato com os clientes”, diz Gonzalez.

Segundo ele, é preciso ter no preço, além dos pratos, um atrativo. ”Não pode ser caro, já que não está oferecendo as mesmas vantagens de um restaurante, como garçom, e tem que fazer uma coisa mais criativa, uma comida boa, de qualidade, com preço justo”, ensina. Os sócios investiram 300 mil reais no negócio e vendem pratos e lanches com preço médio de 25 reais.

Ainda sem a lei em vigor, os sócios instalam o restaurante ambulante em estacionamentos e garagens. “A gente está trabalhando em empresas, eventos e espaços privados de lojas e galerias”, conta Gonzalez. O importante é avaliar se há fluxo no local e demanda por mais opções de alimentação.

Para o empreendedor, a lei vai ajudar, mas ainda precisa ajustar alguns pontos. “Food truck é feito com rodas para rodar, um ponto fixo para cada é um pouco limitante”, opina. Apesar de fugir dos custos de um restaurante, os donos de food trucks precisam estar prontos para lidar com outros desafios. “Vários fatores que não estão no nosso controle, como chuva, frio e calor, podem atrapalhar. Não tem nada garantido no food truck”, diz Gonzalez.

Para Messias, do Sebrae/SP, o grande momento de faturar com este tipo de negócio é agora. Com a Copa e outros eventos, a demanda com sustentabilidade e profissionalismo”, diz.

Fonte: Revista Exame *Leia a matéria na íntegra no site da Exame