04/02/14 - Ciclismo é negócio promissor em SP, diz criador de bikecafé

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Ciclista veterano e apaixonado pela bebida, Fábio Samori, dono do Aro 27, está surfando uma onda que já se mostrou bem lucrativa lá fora

Vida de ciclista na cidade grande não é nada fácil. É uma briga diária contra a falta de ciclovia, o excesso de buracos nas ruas, o calorão de uma manhã de verão e uma senhora dificuldade para achar uma vaga e estacionar a magrela com segurança. Mas mesmo em uma metrópole como São Paulo já dá pra encontrar um refresco...ou melhor um café. O Aro 27 é um misto de cafeteria e bicicletaria localizado a 50 metros da Estação Pinheiros do Metrô.

As bicicletas dão o ar de sua graça logo na entrada, que dispõe de paraciclos onde o cliente pode estacionar a companheira, sem preocupação. No interior, elas estão por todos os lados, em cores, tamanhos e modelos variados.

Quem quiser, pode levar uma para casa, já que muito do que parece enfeite, na verdade, é parte da lojinha e está à venda. Tem capacetes estilosos, mimos decorativos e uma série de outros equipamentos e artigos focados no ciclismo urbano.

Mas o grande diferencial desta cafeteria vem de outro serviço, chamado de Park´n Shower. A uma taxa diária ou planos de até 30 dias, é possível guardar a bike no estacionamento com seguro e ainda tomar um banho aquecido por energia solar antes de continuar a jornada.

O ciclista empreendedor

Fábio Samori é o idelizador do bikecafé. Ciclista veterano e apaixonado pela bebida, ele está surfando uma onda que já se mostrou bem lucrativa nos Estados Unidos e na Europa. Para ele, o potencial de negócios em torno das duas rodas na capital paulista é alto.

“Nós temos só no centro expandido de SP cerca de 500 mil viagens feitas de bicicletas todos os dias. É um público grande. O público da bicicleta tem um relativo poder aquisitivo e é preocupado com o ambiente da cidade como um todo. E também é fiel, é um público que traz seus companheiros para os estabelecimentos que gostam de frequentar”.

Pequenas adaptações já fazem toda a diferença na hora de cativar os ciclistas. São o que o empreendedor chama de mimos.

“Colocar um paraciclo na frente do estabelecimento, dar uma garrafa d´água pra quem chega de bicicleta, oferecer descontos no cardápio como a gente faz aqui, tudo isso mostra que o lugar está preocupado com o ciclista”, diz.

Fábio atende a um grupo crescente de pessoas que resolveram adotar a magrela como principal meio de transporte. É o caso da designer Bruna Nunes, frequentadora assídua do lugar.

No dia em que visitamos o bikecafé, Bruna tinha levado sua companheira para conserto na oficina, que fica nos fundos do café.

“Eu caí com a bicicleta e ela foi arrastada dois quarteirões pela enchente, quebrou tudo. Vim consertar minha bicicleta, porque sem ela não dá pra viver”, contou.

Além das mordomias voltadas para quer curte a vida sobre duas rodas, o lugar também faz sucesso entre um público variado, de pedestres acidentais e principalmente com quem trabalha nas redondezas.

A hora do almoço é a mais disputada. O menu traz refeições rápidas, lanches e, claro, o bom e velho cafezinho.

Economia sobre duas rodas

Várias cidades mundo a fora já descobriram que Investir em melhorias na infraestrutura para bicicletas ajuda o comércio local. E por um motivo muito simples: é mais fácil encontrar um lugar para encostar a bike do que achar uma vaga pra estacionar o carro.

Estudo feito pela prefeitura de Nova York descobriu que as vendas do varejo aumentaram até 49%, entre a 8ª e 9ª Avenidas, após a instalação no local de uma pista segregada para ciclistas.

Do velho continente chegam exemplos inspiradores. Por ano, o ciclismo rende à União Europeia nada menos do que 200 bilhões de euros (cerca de 600 bilhões de reais). Isso é mais que o PIB da Dinamarca.

Fonte: Exame