31/01/14 - Para Cielo, competição fará taxa cobrada de lojista cair em 2014

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Um cenário de competição mais acirrada no mercado de cartões deixou marcas no resultado do quarto trimestre da Cielo e promete continuar a assombrar a credenciadora em 2014. Embora a companhia tenha fechado o ano passado com um desempenho melhor do que ela mesmo previa quando 2013 começou, o céu para este ano não promete ser tão brigadeiro assim. Redução de preços e aumentos em despesas para fazer frente ao avanço dos rivais devem dar a tônica do desempenho em 2014.

Em telecoferência com investidores ontem, o presidente da companhia, Rômulo de Mello Dias, afirmou que a taxa de desconto cobrada de lojistas (MDR, na sigla em inglês), caiu ao longo de 2013 e que nova queda deve ser observada em 2014. Desde que a principal concorrente, a Rede (ex-Redecard) fechou capital, a Cielo não divulga o valor nominal da taxa. Dados do BC do fim de 2012 mostram que a taxa média de desconto para cartões de crédito era de 2,78%.

"A taxa cobrada de lojista pode cair mais neste ano, em função de cenário competitivo que se avizinha", afirma Dias. Em 2014, tanto a Rede como o Santander, principais concorrentes da Cielo, saíram de processos de reestruturação e foram atrás do terreno da rival, que detém perto de 54% do mercado.

Com preços mais baixos, a receita da Cielo com a operação de captura de cartões - que inclui compras com crédito, débito e o aluguel das máquinas de captura - vem caindo. Cálculos do Bank of America mostram que a receita por transação foi de R$ 1,16 no quarto trimestre, ante R$ 1,22 no mesmo período de 2012 e R$ 1,20 no terceiro. A conta exclui a subsidiária americana da companhia.

"A receita média por transação caiu 7% ano contra ano, refletindo aumento dos incentivos dados aos bancos parceiros, assim como uma participação maior das transações com cartões de débito", escreveram analistas do Deutsche Bank. Nas compras com débito, a taxa cobrada do lojista é menor.

No quarto trimestre, dos R$ 131,6 bilhões em compras com cartão capturados pela Cielo, 39% foram com cartão de débito. Em 2012, a fatia era de 36,6%. Um salto inesperado de transações com o Agrocard no fim do ano, cartão voltado para o agronegócio que tem um MDR menor, foi uma das razões desse avanço. Ou seja, além de baixar preços, o mix de transações também não ajudou a Cielo.

Para 2014, a Cielo estima crescimento do mercado de cartões entre 16% e 18% - ante algo próximo de 18% em 2013. Segundo Dias, a Cielo crescerá abaixo disso.

A Cielo também mostrou aumento de despesas, interpretado por analistas como parte da resposta à competição. As despesas operacionais ficaram em R$ 313,5 milhões no trimestre, com avanço de 20% ante igual período de 2012. O principal impacto veio do avanço sazonal de gastos com propaganda, que cresceram 33,4%, para R$ 104,6 milhões.

A Cielo também anunciou reforço no capital social de R$ 1 bilhão, elevando-o para R$ 2 bilhões. O aumento será feito por bonificação de ações, feita na proporção de um para um, e vem no rastro de o Banco Central ter se tornado regulador do setor, no fim de 2013.

"Esse aumento endereça a perspectiva de risco sistêmico que a Cielo possa trazer. Acreditamos que o BC vai olhar as companhias do setor e ver quais as necessidades de capital para fazer frente ao risco que representam", diz Dias. Ele afirma que o aumento de capital não foi exigência do BC, mas iniciativa da companhia.

 

Fonte: Valor Econômico - *Para ler a matéria na íntegra visite o site do Valor