13/01/14 - Belo e artesanal

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Muito utilizado em pisos e paredes, o ladrilho hidráulico resiste aos séculos e continua revestindo bem os ambientes

Ele esteve, e ainda está, presente no cotidiano das pessoas. Nas calçadas, nos pátios das escolas, palco das brincadeiras e descobertas da infância, nas igrejas e museus, na casa dos avós e também nos bares e restaurantes. Marcante por suas variadas cores, desenhos e tamanhos, o emprego do ladrilho hidráulico, peça feitas por meio de uma técnica artesanal e milenar, é uma boa tacada para quem acredita que um estabelecimento comercial pode ser um lugar despojado e, por que não, aconchegante.

Sucesso nas décadas de 30 e 40, seu uso está cada vez mais atual, indo ao encontro da tendência vintage e retrô tão marcante nos dias de hoje. “Há um desejo generalizado na sociedade de se relacionar com um tempo e um espaço mais naturais. Na medida em que a tecnologia evolui, percebemos que somos parte da natureza e precisamos nos conectar a ela”, explica a arquiteta e urbanista Carol Kaphan Zullo, proprietária do Mínima Arquitetura e Urbanismo, em São Paulo (SP).

E não é só nos “sentimentos e lembranças” (o que lhe rendeu a carinhosa analogia a um “piso vivo”), que o crescente uso do ladrilho hidráulico se justifica. Prático e versátil, ele apresenta um design limpo, o que permite variedade na aplicação, seja ela simples (ladrilhos de cor pura) ou complexa (no caso dos desenhos intrincados e relevos). “É um material que transmite o valor de simplicidade que buscamos em nossos projetos. Por isso, sempre que ele se encaixar nas necessidades estéticas, técnicas, funcionais e de custo podemos especificá-lo”, explica.

O arquiteto Fábio Galeazzo, do G’zzo Galeazzo Design, em São Paulo, também ressalta o fato de o ladrilho viabilizar múltiplos resultados. “Qualquer ambiente pode se beneficiar dessas peças, que são bem plásticas e transitam do contemporâneo ao clássico com infinitas possibilidades de cores. Elas ficam muito bem em paredes, pisos e, para os mais ousados, no teto”, afirma.

Por ser um produto artesanal (as peças são feitas uma a uma) é possível investir na customização e imprimir mais personalidade ao ambiente. Nessa hora, é sempre bom contar com a ajuda de um profissional. “O papel do arquiteto é levar os clientes para lugares nunca imaginados. O profissional pode ajudá-lo a escolher uma peça mais atemporal, que resista ao tempo, ou mesmo algo surpreendente”, complementa Galezzo.

Particularidades

Sensação de aconchego, charme e exclusividade. A lista de vantagens do ladrilho hidráulico ganha mais um tópico quando a questão é a durabilidade do produto. Essas peças possuem alta resistência, o que as torna apropriadas até mesmo para áreas de grande tráfego – são muito recomendadas para calçadas públicas, por exemplo.

Dentre os cuidados que o produto inspira antes, durante e depois da instalação, está a impermeabilização, já que o ladrilho hidráulico é naturalmente poroso e apresenta alta absorção de água, sujeira e óleos. Alguns arquitetos sugerem que seja feita peça por peça, antes da aplicação, para evitar que se sujem.

Com relação ao custo, também há alternativas. Segundo Carol Zullo, até bem pouco tempo o ladrilho hidráulico era uma opção barata, sobretudo as peças lisas. “O patchwork (mistura de vários tipos de ladrilhos), por exemplo, nasceu como uma alternativa, quando se utilizava as sobras da produção. Porém, o aumento da demanda fez o preço subir e o que era uma solução barata passou a ser apenas mais uma opção”, revela.

Atualmente, os fabricantes de cerâmicas e porcelanatos oferecem patchworks prontos. Nesse caso, a vantagem está na praticidade da colocação e da manutenção e, às vezes, no próprio preço. Mas o resultado apenas remete ao original. Mesmo assim, a arquiteta afirma que o ladrilho hidráulico ainda sai mais em conta do que alguns porcelanatos e cerâmicas disponíveis no mercado – por volta de R$ 75,00 o metro quadrado, considerando o custo da resina que deve ser aplicada depois da colocação.

Há, também, outras formas de imitação mais acessíveis. “Hoje em dia, a qualidade de materiais que imitam outros aumentou muito e já é possível considerar essa utilização”, ressalta. Para ela, a diferença é que, ao usar as imitações, a sensação final do espaço será um pouco cenográfica. “Se isso couber no contexto da obra, tudo bem. No entanto, caso o desejo seja passar uma sensação mais original e concreta, não é interessante.”

Outra maneira de baixar os custos e ainda assim contar com a beleza do ladrilho é apostar nos detalhes: uma barra em torno de todo ambiente, um balcão, um retângulo em forma de tapete no piso ou pequenas aplicações em meio ao cimento queimado. No mercado também é possível encontrar móveis com aplicações de ladrilho hidráulico, como os tampos de mesa, por exemplo.

Fonte : Revista Bares & Restaurantes nº94 *Leia a matéria na íntegra na revista