11/10/2013 - Bares e restaurantes de BH oferecem 7 mil vagas até a Copa do Mundo

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Setor enfrenta falta de mão de obra e salários chegam a R$ 5 mil

O empresário Agilberto Martins da Costa, do ramo de alimentos e bebidas, tem tarefa árdua pela frente nos próximos meses. Ele precisa contratar 200 funcionários em um mercado de mão de obra escassa e com cerca de 5 mil vagas em aberto em Belo Horizonte. O setor de alimentação fora de casa vive um déficit de profissionais e esse número deve chegar a 7 mil trabalhadores até a Copa do Mundo, segundo dados da Associação Brasileiras de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG). Os salários variam de R$ 700 (auxiliar de cozinha, garçom e churrasqueiro) a R$ 5 mil (gerente, chefe de cozinha e maître). Muitas vagas não exigem nem experiência. Basta a vontade de trabalhar.

"A capital vive pleno emprego e temos que encontrar profissionais que estejam dispostos a trabalhar em dia e horários não convencionais, como à noite, sábado, domingo e feriados”, afirma Lucas Pêgo, diretor executivo da Abrasel. Ele lembra que para a Copa do Mundo o setor vai ter demanda de outros profissionais que antes não eram procurados, como recepcionista e tradutor. “As ações de qualificação e capacitação, inclusive gratuitas, não faltam. O que falta é gente mesmo”, ressalta Pêgo. O segmento de alimentação fora do lar inclui bares, restaurantes, lanchonete, casas noturnas, cafeterias, cantinas escolares, entre outros.

Agilberto da Costa é sócio da Rede Gourmet, que conta com sete restaurantes na capital e terceiriza o serviço de alimentos e bebidas de seis hotéis. Entre as unidades estão o japonês Udon, o Armazém Medeiros, o Restaurante Santa Fé e a Olegário Pizzaria. A rede tem 300 funcionários. De janeiro a março de 2014, vai contratar 200 para mais quatro restaurantes que serão abertos.

"É uma tarefa difícil, pois vemos crise de emprego. Criamos um departamento de recursos humanos para conseguir atender a essa demanda”, afirma Costa. Ele está há 23 anos no mercado e conta que nunca viveu escassez de mão de obra como agora. “Estamos estudando alguns benefícios para tentar ter diferencial, como o plano de saúde. Temos que despertar interesse maior pela empresa. Toda vez que trocamos o funcionário, é preciso treinar outro. Isso é custo a mais”, diz o empresário.

O mesmo desafio enfrenta o empresário Lindoval Conegundes, dono do restaurante Paracone, com unidades no Funcionários e Santa Efigênia. Ele tem 103 funcionários e atualmente está com oito vagas em aberto, para cargos como assistente de buffet, operador de caixa, copeiro, atendente e auxiliar de cozinha. Os salários vão de R$ 860 a R$ 1,2 mil. “Com o crescimento da economia, essas vagas ficam em aberto quase que constantemente”, observa. As vagas atuais não precisam de experiência. “Se a pessoa tiver disponibilidade para trabalhar, oferecemos treinamento”, diz. Na avaliação de Conegundes, cerca de 70% dos candidatos às vagas no restaurante não estão interessados no trabalho. “Eles precisam, na verdade, é de um carimbo de reprovação para receber o seguro-desemprego”, afirma.

benefícios Apesar de oferecer plano de saúde, plano odontológico e salário acima da média, o empresário Rodrigo Nascimento enfrenta dificuldades na hora de contratar funcionários para os seus restaurantes, o Chico da Carne, que conta com três unidades na capital. Ele tem cerca de 150 funcionários e sete vagas em aberto. “Está complicado achar profissional para trabalhar no fim de semana e à noite. Chega um momento que temos que treinar a maioria dos funcionários”, diz.

Garçons e cozinheiros são os profissionais mais difíceis de encontrar, na opinião de Herwig Gangl, proprietário da cervejaria Krug Bier. “O boom da economia tirou muita mão de obra desse setor. É difícil achar mão de obra qualificada”, diz. Na cervejaria Albano’s, o gestor da empresa, Rodrigo Ferraz, ressalta que costuma valorizar o “prata da casa” para tentar reter os funcionários. “Depois do crescimento do mercado e inauguração de hotéis, ficou mais difícil achar mão de obra”, afirma. O setor de alimentação fora do lar soma 18,6 mil empresas em Belo Horizonte e emprega 111 mil funcionários. Em Minas Gerais são 105,5 mil estabelecimentos com 633 mil pessoas na atividade.

 

Qualificação é gargalo

Os cursos de garçom e cozinheiro são os mais demandados no Senac de Minas Gerais. A partir de agora, com a proximidade do fim do ano, a tendência é de ter maior procura, informa Hans Ainchinger, especialista em gastronomia do Senac. “As pessoas procuram mais em função das festas, que costumam pagar mais”, diz.

Segundo ele, todos os estudantes que se formam na área de gastronomia do Senac saem empregados. “Sobra vaga e falta funcionário. A Abrasel me fala que precisa de profissional e eu falo que preciso de aluno. Falta qualificação nessa área”, diz o especialista. O Sebrae forma cerca de 60 a 80 cozinheiros por ano e entre 120 e 140 garçons.

O pizzaiolo Felipe Esteves começou a trabalhar nesta semana em uma pizzaria, depois de ficar dois anos em supermercado. Ele conta que ficou seis meses sem trabalhar, com o seguro-desemprego. “Fiquei fazendo free-lancer”. Quando voltou a procurar colocação no mercado, conseguiu três ofertas de emprego. “Escolhi o melhor salário e condições”, afirma.

O garçom Adriano Ribeiro já fez dois anos de curso de inglês para se qualificar. Concluiu os níveis básico e intermediário. “De vez em quando atendo algum cliente estrangeiro e falo alguma coisa em inglês. Mas aí eles acham que a gente está avançado e querem estender a conversa. Tenho que dizer para ir devagar”, afirma Ribeiro. Ele trabalha em dois empregos e diz achar o inglês um idioma “fascinante”. “Saber o idioma não aumenta os ganhos no restaurante. Mas melhora o relacionamento com o cliente, cativa mais”, diz. (GC)

Fonte: Estado de Minas