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Veja o que a legislação exige e como você pode democratizar o acesso para todas as pessoas

Mais que atender a lei, promover condições que garantam a todos os públicos o acesso irrestrito aos ambientes que compõem seu bar ou boteco é mostrar que você se preocupa e respeita o direito de ir e vir, seja para jovens ou adultos, cadeirantes ou idosos. Hoje, quem decide abrir um estabelecimento comercial, obrigatoriamente, precisa respeitar algumas determinações da Associação Brasileira das Normas Técnicas (ABNT) NBR 9050. Desde sua publicação, no ano de 2004, é indispensável que ao menos 5% do total de mesas, com o mínimo de uma, seja acessível a cadeirantes.

As mesas padronizadas para cadeirantes não podem ficar separadas das demais. Elas devem estar integras às outras, permitindo assim que sejam oferecidos os mesmos serviços e comodidades do estabelecimento a esse público. Porém, é preciso ficar atento para não cair em contradições. Os espaços reservados a pessoas com mobilidade reduzida não devem, por exemplo, ficar no segundo andar do bar. O local precisa ter acesso fácil e não possuir nenhum tipo de barreira.

Luciano Machado Braga é dono da Choperia Exclusivo, em Belo Horizonte (MG), e desde antes de inaugurar a casa, em agosto de 2009, ele já se preocupou em prepará-la para receber pessoas com mobilidade reduzida. “Nossa intenção foi mostrar ao mercado de Belo Horizonte que as necessidades dos nossos clientes são a nossa prioridade. Queremos que eles percebam a nossa preocupação em tratá-los de maneira diferenciada. Cada cliente deve ser atendido de forma única e especifica”, afirma.

A Choperia Exclusivo possui rampa de acesso na entrada da casa e banheiros completamente adaptados às pessoas com necessidades especiais, com barras e acentos próprios. O empresário reitera que, mais que atender a legislação, manter a casa acessível ajuda na conscientização da sociedade, mostrando que devemos tratar o próximo com respeito, proporcionando um ambiente ideal, conforme a necessidade de cada um.

Para aqueles que ainda não fizeram adequações, Braga garante que, quem tornar seu negócio mais acessível para pessoas com mobilidade reduzida, não vai se arrepender. “Tratam-se de clientes em potencial e que valorizam quando temos a preocupação em adaptar nosso empreendimento para atendê-los, oferecendo com excelência os serviços”, explica.

Dicas para melhorar a acessibilidade do seu negócio

A arquiteta Thais Frota explica que, antes de começar qualquer obra, é necessário ter o conhecimento da NBR 9050. Somente assim, o estabelecimento vai atender a medida nacional de pessoas com deficiência. “Quanto mais se adequar à legislação, mais pessoas serão privilegiadas. A norma é técnica, por isso nenhuma medida está lá em vão e deve ser seguida à risca. Caso contrario, pode sair mais caro para o estabelecimento ter que se readequar depois de tudo pronto”, ressalta.

Ela dá algumas dicas para quem quer melhorar a acessibilidade de seu negócio. A primeira atitude deve ser a de eliminar os degraus. “Todos os degraus devem virar rampas com 8% de inclinação. Em alguns casos, o degrau pode ser isolado, colocando, por exemplo, um vaso em cima, para que ali as pessoas não passem e evitem tropeçar”, explica. Entre as mesas, também, não deve haver diferença de altura no piso.

O segundo ponto, de acordo com a arquiteta, diz respeito às passagens, que não podem ser muito estreitas. A largura mínima entre as cadeiras, contando com as pessoas sentadas, deve ser de no mínimo 90 centímetros, para permitir que as pessoas circulem com cadeiras de rodas, carrinho de bebê ou bengala.

O terceiro ponto é em relação à sinalização. As placas são essenciais para indicar a(s) entrada(s) e saída(s), sanitários, caixas e preços. Vale ressaltar que a iluminação das placas precisa ser satisfatória. No caso de exposição de valores do cardápio, é importante que eles sejam em tamanho acessível, simples e intuitivos.

O último ponto destacado por Thais Frota é com relação aos banheiros. “É importante ter, pelo menos, um sanitário acessível unissex para pessoas com deficiência”, enfatiza. Com relação às barras de apoio para os banheiros, ela explica que, em média, custam em torno de R$ 120,00. É preciso ficar atento ao comprimento, que deve ser de 80 centímetros e ser instalada com altura de 75 centímetros do piso.

Já quando se trata da entrada dos bares, as rampas móveis podem ser um caminho. “No entanto, muitas vezes, se a rampa não for fixa, pode não dar a autonomia necessária para quem chega e precisa usá-la, pois em casos de rampas móveis, elas nem sempre estão dispostas para utilização. Isso por, geralmente, serem pesadas e nem todos conseguirem manuseá-la”, explica. Outro problema é a falta de corrimão, obrigatório para os dois lados da rampa.

Para aqueles bares que possuem estacionamento, é importante delimitar uma vaga para pessoas com necessidades especiais. Essa vaga precisa ser acessível e ter o percurso até a mesa do restaurante sem dificuldades. Caso não tenha vaga, o boteco deve solicitar à prefeitura que pinte uma vaga adaptada em frente ao estabelecimento.

 

Fonte: Revista Meu Negócio Minha Vida nº 4