25/09/2013 - Promissor mercado das cervejas artesanais atrai cada vez mais empreendedores

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Interesse cada vez maior do consumidor fez nascer um mercado que pode chegar a 2,5 mil microcervejarias

A cerveja hoje não é mais só clara ou escura. Palavrinhas complicadas como pale ale, stout e weissbier passaram a fazer parte do vocabulário de quem aprecia a bebida e essa mudança de comportamento do consumidor ajuda a movimentar um setor em crescimento no País. E esse número cada vez maior de especialistas e curiosos em experimentar sabores diferentes formou um mercado bastante promissor.

Para quem pensa em começar, o caminho natural é a produção da própria cerveja. A Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) estima que existem hoje cerca de 200 microcervejarias em atividade, mas elas representam apenas 0,15% do setor cervejeiro nacional, dominado por grandes empresas. “Nos Estados Unidos existem 2,4 mil. Há 30 anos, eles começaram com 90. Se o Brasil seguir a mesma proporção de consumo e vendas, podemos chegar a 2,5 mil em 20 anos”, afirma Luiz Vicente Mendes, diretor da feira Brasil Bier e um dos especialistas no segmento.

Ele não é o único otimista. O empresário austríaco Herwig Gangl enxerga um grande potencial no Brasil. Há 16 anos, ele abriu a cervejaria Krug para vender chope e, em 2004, passou a produzir a cerveja Áustria em Minas Gerais. “O mercado aumentou muito nos últimos anos. A juventude adotou a cerveja especial, o que significa que o futuro é muito promissor”, avalia Gangl, que produz 200 mil litros por mês.

Começar uma cervejaria exige investimento inicial mínimo de R$ 200 mil. Mas uma alternativa – já adotada por alguns empreendedores – é alugar espaços de indústrias já existentes. Essa foi a tática adotada pelos irmãos David, Rafael e Alexandre Michelsohn, os criadores da cerveja Júpiter.

O modelo de cervejaria ‘cigana’, como o mercado convencionou chamar esse tipo de operação descentralizada, levou a produção do primeiro rótulo da empresa familiar em Serra Negra, cidade do interior de São Paulo. A segunda cerveja do trio, porém, será fabricada em Ribeirão Preto.

“Você não arrisca muito dinheiro de uma vez só. E se eu precisar de financiamento, a chance de conseguir é maior se tenho um negócio com histórico positivo”, conta David. Até o fim do ano, o trio deve desembolsar R$ 100 mil só para o lançamento dos dois produtos.

Exterior. Outro segmento promissor para quem pensa em empreender é o de importação – muito em função do mercado, na Europa e nos Estados Unidos, estar mais maduro. Os irmãos Luis Felipe e Leonardo Brandalise são sócios da Birgit e aproveitam o conhecimento da língua, e do setor, para trazer cervejas da Alemanha.

“Importação é uma coisa cara. A parte ‘social’ de trabalhar com cerveja, que é a ponta de iceberg, que seus amigos enxergam, é a que faz valer a pena a parte de baixo do iceberg que ninguém vê, que é a de importação, de carregar caixas e outras coisas”, diz Luis, que começou o negócio com R$ 400 mil.

Mas não é só de líquido que vive esse mercado, afinal, uma cerveja especial pressupõe que o apreciador a deguste em um copo especial. A empresa H Martin atua com decoração de taças e soube aproveitar bem a expansão desse mercado. “Atendemos desde as gigantes até as microcervejarias”, afirma um dos sócios, Jean Martin.

OPORTUNIDADES - Mercado não é restrito aos fabricantes

Produção: Fabricar a cerveja é a possibilidade mais óbvia, mas abrir uma cervejaria exige recursos de pelo menos R$ 200 mil.

Terceirização: Quem não quiser montar uma estrutura própria pode encaminhar a produção a uma fábrica que já está estabelecida.

Consumo: Ter um restaurante ou bar com uma carta de cervejas especiais é uma opção. Mas o mercado é muito concorrido.

Importação: Trata-se de um bom caminho, mas o empresário vai lidar com custos altos de operação e impostos e com legislação difícil.

Opções: Clubes de assinaturas e o comércio online podem ser boas apostas para quem deseja empreender.

 

3 PERGUNTAS PARA: Scott Ashby e Anelise Marques, fundadores da Cervejaria Ashby

 

1 - O que motivou a criação da empresa?

A criação da cervejaria, há 20 anos, foi resultado de um conjunto de fatores. Nossa vontade de empreender, a busca por algo inovador no Brasil e a paixão em produzir cervejas. Quando somados esses fatores com a ousadia dos vinte e poucos anos de dois jovens cheios de força o resultado foi a primeira microcervejaria do Brasil. A Ashby produz 400 mil litros de chope por mês e registra faturamento de R$ 8 milhões por ano.

 

2 - Qual avaliação vocês fazem do mercado?

Vimos muitas microcervejarias abrirem e fecharem. Achamos que o principal motivo era o desconhecimento do público consumidor das cervejas diferenciadas. Houve uma primeira onda de novas empresas no fim da década de 1990 e agora novamente nos últimos cinco, sete anos anos. Hoje o número é grande, mas creio que novamente veremos o fechamento de algumas, principalmente se o dólar continuar em ascensão.

 

3 - Qual o diferencial da cervejaria para manter-se no mercado?

Nós sempre mantivemos o foco na qualidade e no atendimento dos nossos clientes. Também ampliamos o portfólio de produtos para podermos atender outros nichos de mercado. O reconhecimento do público é uma consequência natural de tantos anos de trabalho. Vendemos chope pilsen, black, escuro e Califórnia (de vinho) e estamos presentes em cerca de 400 pontos de venda.

 

Fonte: Estadão PME