30/07/13 - Loja se especializa em bem-casado e fatura R$ 30 mil mensais

O tradicional bem-casado, feito com pão de ló e recheio cremoso, ganhou 11 versões na loja Fina Nata. Inaugurada há um ano, a empresa considera-se pioneira em vender no varejo um doce que até então era protagonista apenas das festas de casamentos. Em média, cinco mil unidades são vendidas por mês e o faturamento da empresa é de R$ 30 mil mensais. Gustavo Soncini, sócio proprietário da empresa, estudou e trabalhou na Suíça, mas voltou para o Brasil com o objetivo de abrir a loja. Ele aproveitou que o irmão já tinha uma fábrica de doces para começar o seu próprio negócio. O capital inicial foi de R$150 mil reais e, depois de um ano de funcionamento, a loja alcançou o equilíbrio operacional em junho.

Os bem-casados são o carro chefe da empresa, mas há também a venda de bebidas, doces finos e uma linha de presentes com mais de 50 tipos de embalagens, que incluem caixas de prata, madre-pérola, madeira e cristais. De acordo com Soncini, o conceito da loja é de luxo acessível. “Há a impressão de luxo, mas os preços dos bem-casados variam de R$ 4,20 a R$ 4,70, dependendo do sabor”, afirma o proprietário.

Localizada nos Jardins, bairro nobre de São Paulo, a Fina Nata tem como público alvo as classe A e B e o desembolso médio das compras é de R$ 45. Uma das grandes atrações da loja são os sabores sazonais que mudam de acordo com as estações do ano. Para o inverno, por exemplo, foram lançados os bem-casados de uísque, vinho do porto e champanhe. O cardápio fixo também tem sabores inusitados como gengibre com canela, chocolate com pimenta e pistache. Apesar de aceitar encomendas, 70% do faturamento da Fina Nata é da venda no varejo. “As pessoas gostam do bem-casado e agora não precisam esperar o próximo casamento”, disse Soncini.

 

Riscos

Nos últimos anos, cresceu o número de lojas especializadas em uma única sobremesa como iogurte, brownie, cupcakes e brigadeiros. Entretanto, o professor Claudio Felisoni, presidente do conselho do Programa de Administração do Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar/FIA), explica que negócios como esse podem ser arriscados: “Investir em um único produto é como ter um revólver com uma única bala, o tiro tem que ser certeiro”. Segundo o professor, as preferências das pessoas mudam muito rápido e, por isso, quando você aumenta a diversidade de oferta, diminui as possibilidades de insucesso.

Sobre o risco da venda especializada, Gustavo Soncini, afirma que não é uma preocupação: “Somos pioneiros no conceito de 'bem-casaderia'. Os negócios que não deram certo não mantiveram a qualidade, podemos notar que os melhores de cada segmento ainda estão no mercado”.

 

Fonte: O Estado de S. Paulo