25/07/13 - Redes internacionais de alimentação saem em busca de parceiros

Características como tamanho, evolução e maturidade do segmento de alimentação fora do lar fazem do Brasil polo de atração para franquias internacionais. Afinal, são 200 milhões de pessoas, uma classe média turbinada nos últimos dez anos com mais de 40 milhões de novos consumidores, o equivalente à população total da vizinha Argentina, e uma economia ainda saudável, que, mesmo andando de lado nos últimos tempos, supera a de mercados ainda em crise. Além disso, a categoria alimentação é a primeira colocada em número de redes no país, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), e em 2012 foi a segunda em faturamento, com mais de R$ 20,5 bilhões e crescimento de 17% em relação ao ano anterior. "As redes nacionais crescem. O interesse das internacionais, também", resume o consultor Paulo Cesar Mauro, da consultoria Global Franchise.

Outro ponto a favor do segmento é ser um dos poucos da indústria que, ao chegar de fora, encontra poucas barreiras para entrar no país, já que nem sempre é necessário importar insumos e equipamentos, é possível desenvolver fornecedores locais e o mercado já conta com suportes como logística, hábito de consumo e familiaridade com muitas das marcas estrangeiras por causa do turismo. "Sabemos que os muitos brasileiros em Miami nos adoram", orgulha-se Marc Mushkin, vice-presidente de desenvolvimento internacional da Pollo Tropical, rede americana de restaurantes de frango assado e comida caribenha, que procura parceiros no Brasil em franquias múltiplas com capacidade de aportar US$ 300 mil em cinco unidades e já está presente em mercados como Venezuela, Equador e Panamá.

A Pollo Tropical é representada no Brasil pela Global Franchise, responsável pela chegada de marcas como Quiznos, uma em uma dezena das que aportaram no Brasil no ano passado, como Papa John's Pizza, Carl's Jr., Johnny Rocket, Chili's e MySandwich. O portfólio da consultoria inclui bandeiras como Sbarro, de comida italiana, com mais de mil unidades em 45 países e em busca de franqueados - para o papel de master nacional a taxa é de US$ 600 mil. Ainda dos EUA, a lista inclui Smoothie Factory e Winger's Grill & Bar. Outras são europeias, como a portuguesa Casa do Galo e a italiana Alfredo di Roma, restaurante criador do fettuccine Alfredo, cuja franquia vale a partir de R$ 1 milhão.

A Casa do Galo tem em comum com a Pollo Tropical cardápio e preços. Ambas são especialistas em frango na brasa e oferecem refeições por menos de R$ 20. "A expectativa é termos no mínimo 200 lojas em dez anos", diz o gerente internacional da Casa do Galo, José Franco. O plano é ambicioso, já que em 2011 a casa contava com 21 lojas em Portugal e faturou € 5,6 milhões. No Brasil, a taxa mínima será de € 90 mil e a ideia é licenciar fabricantes para a produção de ingredientes como os molhos para evitar a importação. "Há oportunidade em trazer para o país sistemas mais eficientes para preços mais baratos", diz o consultor Paulo Cesar.

A rede de padarias Le Pain Quotidien também chegou da Europa, atraída pelo interesse de um dos sócios, Xavier Bitart, casado com uma brasileira, que juntou um grupo de investidores belgas, e com nomes como Ricardo Rinkevicius, dono também dos restaurantes Ping Pong - todos já saíram da operação. Como a base da marca é o pão levain (de fermentação natural) fresquinho, a padaria central inicial ficou pequena e, neste ano, será inaugurada outra, com capacidade para atender até 12 lojas. Até agora, os investimentos chegaram a R$ 7 milhões. "O plano é abrir cinco lojas por ano", diz o diretor-gerente, Luciano Neri.

O grupo mexicano Alsea, operadora de franquias como Starbucks, Domino's Pizza, Burger King e Italianni's no México e em outros mercados latino-americanos, é outro de olho no país. Em janeiro, adquiriu direitos exclusivos da P.F. Chang's, rede americana de bistrôs chineses, com 225 unidades nos EUA. A operação é considerada um dos principais suportes de crescimento da companhia, responsável pela inauguração do primeiro restaurante da rede fora do mercado americano, na Cidade do México, em 2009, e pelo primeiro na América do Sul, no Chile, em 2011.

A primeira loja deve ser aberta neste ano e a estimativa é de ter 30 restaurantes, com investimentos de US$ 85 milhões, em dez anos. "A marca será a porta para entrar na economia mais importante da América Latina. É um passo importante para a diversificação", disse o diretor- geral Fabián Gosselin.

Fonte: Valor Econômico