11/06/13 - Controle é o segredo para crescer bem, diz criador da churrascaria Fogo de Chão

Fundador da rede de churrascarias Fogo de Chão dá conselhos para pequenos empreendedores

Assar churrasco é uma arte, prega a gastronomia contemporânea. Já a transformação do prato em negócio milionário é obra de Arri Coser. Artista no manejo dos espetos, o gaúcho elevou a fama do assado típico do Sul no Brasil e Estados Unidos ao criar, com ajuda da família, a rede de churrascarias Fogo de Chão.

Vendida no ano passado para a companhia de private equity Thomas H. Lee Partners, em uma transação estimada em R$ 400 milhões, a marca tornou-se referência pelo padrão de qualidade dos cortes das carnes e pelo atendimento.

Arri volta ao mercado um ano após a venda da holding detentora da rede. Por conta da inquietação empreendedora, o que motivou a criação de vários outros negócios no segmento de alimentação e também no setor imobiliário ao logo das três últimas décadas, Arri descartou a aposentadoria para dedicar-se à formatação de outro empreendimento: a rede de churrascarias Nabrasa Steak.

“Entrei no ramo de alimentação e nunca mais saí. Foi por necessidade”, explica o empresário, que refinou suas habilidades de churrasqueiro e de negociante com o passar do tempo. “Quando montei a primeira loja eu tinha 17 anos, não sabia o que queria. Achei que era uma aventura. Pedi dinheiro emprestado ao meu pai, depois aos amigos. Foi uma capitalização que hoje o pessoal faz com fundo de investimento”, contou o empresário durante o Encontro PME. Na oportunidade, ele reuniu-se com empresários de pequeno porte para a troca de experiências. Confira agora os principais trechos:

 

Gestão

As noções de administração vieram aos poucos e com o tempo. No entanto, as decisões tomadas ainda na adolescência foram determinantes para o sucesso de seus empreendimentos. Depois de comprar a churrascaria Fogo de Chão, em Porto Alegre, Arri passou a investir em outros negócios de pequeno porte. Em pouco tempo, era dono de bar, lanchonete, casa noturna e restaurante. “Quando eu tinha 20 anos tivemos que enxugar para ter foco em um negócio só e fazê-lo crescer dentro de uma condição mais apertada de recursos”, explica.

Para o empresário, abrir mão dos outros investimentos foi crucial para a criação de uma empresa com bases sólidas e com boa saúde financeira. “Eu sempre disse que só cresceria quando tivesse controle de tudo. Eu quero saber quantos palitos são gastos por cliente e quantos gramas de sal eu gasto por pessoa”, revelou.

 

Padrão

O sucesso da rede Fogo de Chão ocorre, principalmente, por causa da qualidade dos cortes de carne, servidos no sistema de rodízio, e ao alto padrão de atendimento implantado em todas as unidades. “É fácil criar um padrão hoje.Difícil era há 30 anos, quando eu precisava implorar para poder comprar”, explica Arri. Para o empresário, o avanço da tecnologia e a profissionalização do País contribuíram para a criação de uma cultura de excelência no empreendimento.

“Hoje você consegue negociar em qualquer parte do mundo. Na hora em que você formatou o que quer não há mais problemas de padrão. Os fornecedores estão preparados para atender as necessidades de empresas de todos os portes”, analisa.

 

Liderança

No início da empresa, Arri e seus sócios revezavam nas tarefas necessárias para manter uma churrascaria em funcionamento. “Você vira empresário quando começa a ter gente trabalhando para você. No início, você faz tudo sozinho. Mata um leão pela manhã, um à tarde e um à noite”, analisa.

Mão de obra

O aquecimento do mercado de trabalho e a falta de qualificação técnica não chegam a ser encarados como problemas para o empresário. Arri acredita que um bom gestor tem a capacidade de identificar o talento e formá-lo para uma determinada função. “Nós temos o cara certo? A necessidade é quem responde essa pergunta”, diz.

 

Família

A família e os amigos foram fundamentais para Arri iniciar sua trajetória empreendedora no Rio Grande do Sul. Com eles, o empresário conseguiu erguer um império do churrasco. Mas também aprendeu, depois de muito sofrimento, que estabelecer funções e áreas de atuação diferentes para cada um dos integrantes é importante – e mais saudável – para os negócios e para preservar os laços familiares intactos.

“No início da década de 90 nós achamos melhor profissionalizar tudo para cada um da família ter seu próprio negócio. Tirei todo mundo. Alguns a preço de ouro. Uns (primos) ficaram bravos comigo. Mas com o tempo eles viram que eu tinha razão e hoje está tudo bem”, relembra. “Um profissional de fora pode tornar esse processo menos dolorido”, finaliza.

 

Fonte: Estadão PME