06/06/13 - Aumento dos custos é a principal ameaça às franquias de alimentação

Setor é o mais tradicional e forte do franchising, mas está sofrendo com a alta nos custos de mão de obra, ocupação e carga tributária, segundo o levantamento

A Associação Brasileira de Franchising (ABF) e a ECD, consultoria especializada em Food Service, anunciam hoje os resultados da pesquisa “Balanço Setorial das Redes de Franquias no setor de alimentação em 2012”. Realizada anualmente, a pesquisa visa dar subsídios para que os empresários do setor se preparem para o mercado. O estudo revela tendências de consumo, necessidades de melhorias da gestão e apresenta também os desafios para a sobrevivência do negócio.

“O setor de alimentação é um dos mais pujantes e consolidados do franchising. É o primeiro em número de redes (573 em operação no Brasil), o segundo maior faturamento (R$ 20 bilhões) além de ser também o que gera mais emprego”, afirma Cristina Franco, presidente da ABF, lembrando que o setor de franquias como um todo cresceu 16,2% no ano passado e faturou mais de R$ 100 bilhões.

Nesta edição da pesquisa, foi considerado o conceito de ano calendário 2012 (que compreende os meses de janeiro a dezembro). Foi incorporada também, aos resultados, uma importante parte do 1º semestre de 2013 (referente aos meses de janeiro a abril), comparando com o mesmo período de 2012.

A amostra teve a participação de 42 marcas associadas à ABF que correspondem a 4.306 unidades de franquias ou 33% das que operam no mercado. Sem considerar as lojas inauguradas em 2012, o faturamento das redes cresceu 11% em 2012. Ao somar as novas lojas, o faturamento cresceu 18%, em relação ao ano anterior.

“Em 2012, o sistema de franquias na área de alimentação manteve seu vigor em termos de crescimento, confirmando as expectativas do mercado com o sucesso neste modelo de negócio”, ressalta João Baptista Jr., coordenador do Grupo Setorial de Redes de Alimentação da ABF. Segundo ele, o setor continua otimista e prevê continuar crescendo em 2013. A expectativa dos empresários é de crescer 13% em 2013.

O otimismo também se revela na expectativa de inaugurações. Os empresários declararam que pretendem inaugurar mais de nove mil lojas até 2016. A grande preocupação do setor revelada pelo estudo é a alta nos custos.

“O preço da matéria-prima, de ocupação (aluguel e taxas) e com a mão de obra tem pressionado muito a lucratividade das empresas”, afirma Baptista. Além disso, as taxas para renovação de contratos em shoppings e demais centros de compra também subiram em média 9%.

“O impacto do custo da mão de obra se tornou um grande desafio para setor. O turnover continua alto, na casa dos 48%, mantendo o perfil de anos anteriores”, explica Enzo Donna da ECD Food Service, coordenador da pesquisa.

Ainda segundo o consultor, as empresas fazem fortes esforços para reter seus funcionários. “Cerca de 71% das redes têm algum programa de incentivo ao desempenho e 100% têm programas de treinamento intensivo com aumento da frequência da capacitação.”

“O ponto de atenção revelado pela pesquisa é que o empresário não consegue repassar esses custos de forma integral aos consumidores. Para manter a base de clientes tem sido necessário fazer muitas promoções”, ressalta João Baptista.

Outra preocupação do setor, que pode, inclusive, impedir sua expansão é a complexa política tributária do País. “A diferenciação de taxas por Estado pode inibir o crescimento das redes”, finaliza João Baptista.

Todos os respondentes reclamaram do aumento de preços das matérias-primas, especialmente em hortifrúti (59%), carne bovina (56%), queijos (41%), embalagens (37%), aves (34%) e leite (32%).

 

Fonte: Infomoney