13/05/13 - Restaurante adota cardápio em tablet e vê faturamento aumentar

 

Cada vez mais, estabelecimentos investem em inovação para agilizar o atendimento, reduzir custos e agradar a clientela. Em São Paulo, um restaurante japonês trocou os cardápios impressos por tablets. Os clientes podem escolher a refeição de forma interativa, com o auxílio das ilustrações. E os pedidos são enviados automaticamente para a cozinha.

“Você dá um clique na tela, vai aparecer todos os sistemas: rodízio, bebida, à la carte, drinks, sobremesa. Com esse clique, você vem em rodízio, aqui em cima eu tenho pratos quentes, temaki, sushis, sashimis, carpaccio. E você clicando do lado, vai passando o que eu tenho na casa. E aqui do ladinho, a quantidade do que você quer. É tipo um carrinho: você vem, adiciona um pedido, volta de novo em pratos quentes e continua a fazer o pedidinho. Terminou de fazer o pedido, você vem aqui, enviar o pedido, confirmar! Está feito”, explica o empresário Edivaldo dos Santos.

O cardápio digital do restaurante japonês foi criado pelo empresário Fernando Chiarotto. Ele desenvolveu um software para tablete que substitui o tradicional cardápio de papel.

“Nós vislumbramos uma oportunidade e com muita pesquisa pensamos bastante e vimos que realmente seria uma tendência, que hoje, após quatro anos, eu posso afirmar que é realmente uma tendência nesse setor”, diz Chiarotto.

O software tem infinitas possibilidades de incluir pratos e fotos. A empresa instala os tablets já prontos para funcionar. Cobra aluguel – a partir de R$ 120 por mês, por tablet.

“Ele vai pagar isso e não vai ter dor de cabeça nenhuma. Na verdade, essa foi a maneira que nós criamos para viabilizar o negócio para os proprietários donos de bares, restaurantes ou hotéis”, afirma o empresário.

A empresa já instalou o cardápio digital para 20 clientes em São Paulo. O restaurante japonês é um deles. O dono, Edivaldo dos Santos, usa os tablets desde fevereiro deste ano.

Aqui, são 25 tablets com cardápio, um em cada mesa. Eles ficam presos na parede, com suporte móvel. Quando o cliente chega, o garçom explica o sistema.

Cada tela transmite notícias o tempo todo. Quando o cliente volta a tocar nela, aparecem as opções do cardápio. “É bem mais prático você já pede na hora já, por exemplo, aqui eu quero um prato quente, escolho aqui....coloca as quantidades que eu quero, bem mais simples”, diz o cliente Alexandre Formiga.

E o restaurante descobriu ainda uma fonte de renda extra com o novo cardápio. Ele vende anúncios para comerciantes da região nas telas dos tablets. Com o dinheiro que arrecada, a casa paga o aluguel do novo sistema e ainda ganha dinheiro.

“Além de sair de graça eu ainda tenho um lucro de R$ 900, porque o pessoal anuncia neles, então para mim, ele está saindo de graça”, fala o empresário.

Com o cardápio digital também acaba aquela história de ficar com a mão levantada esperando o garçom. O atendimento ficou rápido. Agora, um pedido chega à mesa em, no máximo, dez minutos.

“Ficou mais rápido, porque eu trabalho por aqui e a gente normalmente pede rápido, come e vai embora. Então ficou mais rápido”, comenta o cliente Sérgio Rapoport.

O sistema atraiu clientes novos e o faturamento aumentou. Com o cardápio nos tablets, as pessoas passaram a gastar mais. A explicação está no que se chama de “comer com os olhos”. Enquanto o cardápio tradicional tinha 10 fotos, no tablete são 86 imagens em alta definição, para instigar qualquer apetite. Só de sobremesas, hoje o restaurante vende cinco vezes mais.

Para incluir pratos novos no cardápio é fácil. O próprio gerente cuida do processo. “Batemos uma foto do prato, mandamos para o sistema, (...) enviamos a imagem por download, ela fica disponível tanto no computador, como automaticamente já entra para o sistema”, explica o gerente Jefferson Domingues.

O dono do restaurante paga R$ 3 mil por mês pelo aluguel dos 25 tablets. É metade do que ele gastava com a impressão dos cardápios de papel. Mas a redução de gastos é ainda maior.

“Com o cardápio digital, o restaurante economiza 80 kg de comida por dia. Eram as sobras dos pratos dos clientes que iam para o lixo. O que aconteceu foi o seguinte: a tecnologia personalizou o cardápio e incluiu mais de duas mil combinações entre molhos, cremes e cortes diferentes. Hoje o cliente pede exatamente o que ele vai comer”, relata o gerente do estabelecimento.

“Antigamente, a gente montava um prato onde colocava todos os nossos sushis à disposição do cliente e ele não comia tudo. E isso, consequentemente, ia para o lixo. Hoje ele pede exatamente o que quer e na quantidade que ele quer. Isso reflete para mim em economia de matéria-prima. Eu estou gastando menos no mercado, menos com peixe, e isso me dá lucro também”, conclui o gerente.

A novidade veio mesmo para ficar, garante o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em São Paulo. “O próprio cliente vai optar pela tecnologia, pelo cardápio mais ilustrativo e até pela própria pesquisa, que vai ser muito mais fácil de fazer”, diz Joaquim Saraiva de Almeida.

E vêm mais novidades por aí no restaurante japonês. Nos próximos meses, a casa quer ampliar os serviços do cardápio digital e se tornar referência em tecnologia.

“A gente ainda vai colocar chamada de táxi, onde o cliente chama o táxi e paga pelo tablete; chat para uma mesa conversar com a outra. E vamos expandir também para o smartphone, onde o cliente vai entrar no nosso cardápio pelo celular e fazer seus pedidos delivery”, avisa o gerente do restaurante.

Fonte: G1