16/02/12 - Cervejarias investem em produto light

Petrópolis lança versões da Itaipava com menos álcool e calorias; nos EUA, segmento domina o mercado da bebida. Ambev já tentou lançar a versão da Brahma, mas desistiu devido à rejeição ao termo; hoje, aposta na Skol 360º

Na tentativa de desenvolver um mercado que é dominante nos EUA, a Cervejaria Petrópolis anunciou ontem o lançamento de uma cerveja light, com teor de álcool e calorias reduzidos. A Itaipava Light tem 3,5% de teor alcoólico, ante 4,5% da versão normal. A redução calórica é de 25% -a lata de 350 ml tem 110 calorias.

 

Em 2003, a Ambev tentou emplacar a Brahma Light, novidade que já era um relançamento do produto criado originalmente em 1982 e que também teve vida curta. Nos Estados Unidos, as versões light vendem mais do que as regulares: as quatro marcas mais populares no país são light, entre elas a Bud Light e a Miller Lite.

Lá, o apelo não está relacionado a calorias, e sim à redução do teor alcoólico ou à leveza da bebida. A Ambev não desistiu do mercado de cervejas mais leves, apenas abandonou o termo "light" devido à rejeição por parte do público masculino. A Skol 360º tem o apelo das lights americanas.

Para o consultor de bebidas Adalberto Viviani, na época dos lançamentos da Brahma Light, o mercado brasileiro não estava maduro para absorver esse tipo de inovação. Mas isso mudou, diz. "Chegou o momento. Estamos vivendo período de diferenciação no mercado de cerveja. Há dez anos, as pessoas buscavam consumir volume. Com o aumento da renda, elas querem novidades".

A Petrópolis pretende vender a Itaipava Light como um produto premium: a garrafa é verde, cor normalmente associada a cervejas de sabor mais acentuado. O preço sugerido ao consumidor no varejo (R$ 1,99 para a lata de 350 ml) é superior ao da Itaipava regular (R$ 1,39).

 

FEMININA

"Não é uma cerveja feminina. Queremos focar a comunicação na questão da saudabilidade e conquistar homens e mulheres", diz Douglas Costa, diretor de marketing da Petrópolis.

A Petrópolis faturou R$ 3,8 bilhões em 2011 e é a segunda maior cervejaria do país em participação de mercado. Em janeiro, tinha 10,9%, ante 68,47% da líder Ambev, segundo a consultoria Nielsen.

Sua atuação ainda é concentrada no Sudeste e no Centro-Oeste, onde conta com quatro fábricas. "Estamos estudando a localização da próxima fábrica, que será no Sul ou no Nordeste".

 

Fonte: Folha de S.Paulo