26/04/13 - Burger King lucra 150% a mais - mesmo vendendo bem menos

 

Estratégia de focar operação em franquias vem fazendo rede de fast food reduzir drasticamente os custos da operação sob o comando de executivos brasileiros

O Burger King anunciou hoje os resultados do primeiro trimestre do ano. Apesar de reconhecer uma queda não esperada nas vendas globais comparáveis - o decréscimo foi de 1,4% - a rede de fast food reportou um lucro 150% maior. Os ganhos foram de 35,8 milhões de dólares, ante 14,3 milhões de dólares entregues no mesmo período de 2012.

O resultado foi atingido mesmo com uma queda de 42,5% na receita, que passou de 569,9 milhões para 327,7 milhões de dólares. A estratégia de focar a operação em franquias, ao invés de restaurantes próprios, ajuda a explicar essa equação.

Hoje, o faturamento com franquias e direitos de propriedade responde por 63% de tudo que a companhia ganha - mais que o dobro do percentual entregue há apenas um ano. Nesse contexto, o Burger King conseguiu reduzir drasticamente suas despesas com funcionários, produtos e outros custos operacionais. O corte total foi de 53,6% em um ano.

 

Os números refletem as mudanças implementadas na gestão da companhia depois de setembro de 2010, quando o fundo 3G Capital, dos empresários brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, adquiriu a rede de lanchonetes.

A exemplo do que foi feito no banco Garantia e na Ambev, que também foram transformados pelos executivos, limar custos virou uma obsessão. No fim de junho de 2012, a companhia voltou à bolsa depois do fundo britânico Justice Holdings comprar uma participação na rede.

No balanço, Bernardo Hees, CEO da empresa, sublinhou que o Burger King entregou ganhos de 49% por ação no primeiro trimestre, apesar de um ambiente econômico desafiador e competitivo. "Além disso, anunciamos o aumento de nossos dividendos em 20% e iniciamos um programa de recompra de 200 milhões dólares em ações, demonstrando nossa perspectiva positiva para o longo prazo da empresa e nosso compromisso em devolver dinheiro aos acionistas", afirmou.

Regiões

No trimestre, as vendas comparáveis só subiram em duas regiões: Europa, Oriente Médio e África, com ligeiro aumento de 0,8%, e Ásia e Pacífico, com avanço de 2,7%.

Nos Estados Unidos e Canadá, mercado mais representativo para o Burger King, o número caiu 3%. Já na América Latina e Caribe, a queda foi de 1,3%. O Burger King atribui o movimento a uma performance mais fraca no México e Porto Rico, ressalvando que os resultados foram positivos no Brasil, Argentina e Venezuela.

"No Brasil, relançamos a plataforma Whooper Furioso, aumentando o alcance de marketing nacional, o que nos ajudou a ter um aumento nas vendas comparáveis", disse a companhia, sem detalhar valores.

Fonte: Exame