25/04/13 - O vinho ganha espaço nas mesas do país

 

Nem só em "louras" se resume o gosto do brasileiro: pesquisa realizada pela empresa de inteligência de mercado britânica Wine Intelligence mostra que um terço da população incorporou os vinhos – em especial, os importados – aos seus hábitos de consumo. Isso significa um total de 17,9 milhões de consumidores, que compram 9 de cada 10 garrafas da bebida, informou o estudo, baseado em dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apresentado ontem no 3º debate "O Vinho no Brasil", realizado pelo Comitê do Vinho da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio–SP), o levantamento, realizado com 705 consumidores brasileiros entre 18 e 59 anos, apontou tendências de consumo e nível de conhecimento dos apreciadores da bebida. Nesse universo, o gênero está equilibrado: as mulheres representam 47% dos consumidores, enquanto os homens são 54%. Entre os maiores apreciadores desses vinhos estão jovens até 35 anos, que representam quase metade da amostra (47%).

Quanto à distribuição geográfica, o estado de São Paulo é o maior consumidor de vinhos, sendo que a capital responde por 29%, e o interior 21%. Na sequência, vêm o Rio de Janeiro, com 19%, e Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre e Salvador, todas com 7%. Já a renda mensal média de 31% dos apreciadores de vinho vai de R$ 2.076,00 a R$ 4.150,00.

No recorte por preferência, 94% dos entrevistados que consomem vinho importado entre uma e duas vezes por ano preferem os tintos, enquanto 65% pedem os brancos. O curioso é que, em segundo lugar entre os dois tipos de vinho, estão as cervejas, com 74% do total. "Há uma grande competição das cervejas premium com o vinho, já que tem crescido muito a oferta das ales vindas da Bélgica, Alemanha, EUA e das (de produção) doméstica", disse Paul Medder, sommelier e gerente de mercado da Wine Intelligence.

Os vinhos tintos também dominaram na proporção de consumo por tipo, com 58% do total (era 62%, em 2010), seguidos pelo branco, com 26% (era 22% na pesquisa anterior), e o rosé, com 16%. "É grande o crescimento de brancos e rosés – especialmente durante o verão. O clima influencia", disse Medder, para quem já é tendência que esses tipos de bebida sejam consumidas o ano todo. "Assim como os espumantes, que não são mais servidos só em celebrações, mas a qualquer momento."

Bom para a saúde

O estudo da Wine Intelligence também mostrou que o consumidor é conhecedor, mas não sai de sua "zona de conforto", segundo Medder, na preferência por determinados tipos de uva. No consumo de vinhos produzidos com uvas tintas, 64% preferem o cabernet sauvignon, 50% o merlot e 48% o malbec. Entre as uvas brancas, 52% preferem o chardonnay, 41% o sauvignon blanc e 31% o moscato. "Há uma tendência de aumento no consumo dos brancos, mas não do mercado como um todo, e sim entre os consumidores mais exigentes", explica.

Outros dados mostram que 66% dos consumidores brasileiros gosta de experimentar estilos novos e diferentes com regularidade. Já 26% sabem do que gostam, mas tendem a seguir o que conhecem. O percentual sobe na faixa entre 55 a 59 anos, onde 43% tendem a seguir o que já conhece. "Mais do que dizem os críticos, a opinião de amigos e os resultados de comentários nas redes sociais influenciam mais", disse.

Quando se fala em hábitos, 78% dos consumidores de vinhos importados considera que beber vinho é bom para a saúde. O percentual aumenta entre consumidores acima dos 35 anos (87%). Dentro da mesma faixa etária, 56% consideram a cerimônia de beber vinho importante para o seu estilo de vida.

Por último, quando se fala em preços, 49% dos consumidores acham a bebida cara. Outros 84% compram os melhores vinhos dentro de suas possibilidades orçamentárias, e apenas 8% não ligam para o que compram – desde que o preço seja justo. Segundo o coordenador do Comitê do Vinho da FecomercioSP, Didú Russo, o produto chega à mesa do brasileiro 16 vezes mais caro em relação ao preço de produção. "Para o consumo aumentar, principalmente entre os jovens, que bebem com menor frequência, é preciso reduzir o custo, melhorar a distribuição do produto e a disseminação da cultura do vinho como alimento", finalizou.

Com comunicação, maior demanda.

Apesar do grande número de apreciadores e do consumo de 450 milhões de garrafas por ano, o crescimento do mercado de vinho em 2012 foi de apenas 1,5%, segundo o coordenador do Comitê do Vinho da Fecomércio-SP, Didú Russo. Alguns dos motivos, explicou, foram o aumento de impostos no setor, a lei seca, que reduziu o consumo em 30%, e os arrastões de restaurantes em São Paulo, que sozinhos, distribuem 50% do mercado. Mas o segmento não cresce mais pelo pouco – ou quase nenhum – investimento dos empresários do setor em marketing e propaganda, principalmente no e-commerce.

"Os sete maiores produtores e quatro importadores faturam juntos em torno de R$ 1,5 bilhão. Mas de um ano para outro o mercado não muda, já que nem 20% do montante vai para comunicação", criticou.

Para mudar esse cenário, Tato Simon, vice-presidente de novos negócios e relações com clientes da agência Today (antiga Adbat-Tesla), mostrou que há um potencial a ser explorado pelo setor de vinhos na internet que pode impulsionar o consumo – assim como o mercado de cervejas faz com bastante sucesso.

"São 94 milhões de pessoas com acesso a internet no Brasil, e serão 115 milhões em 2016 com foco na classe A/B", explicou, citando a pesquisa Brasil Conectado, que aponta que, enquanto gastos com propaganda na internet representam 12%, a audiência dos internautas é de 56%. "Ainda há muito a explorar", disse.

Outros dados apresentados por Simon mostram que houve crescimento de 12% no volume de buscas por "vinho" no Google, e as subcategorias mais buscadas foram "espumante", "tinto", "branco", "do porto" e "rosé", respectivamente. "São buscas influenciadas pela sazonalidade, especialmente nos meses mais frios e nas festas de fim de ano".

Para o especialista, o mais importante é definir estratégias de presença, pelo investimento em ferramentas como SEM (Search Engine Marketing), pautando tecnologia, popularidade e conteúdo relevante, para a marca ficar em destaque nos buscadores. Outra estratégia é investir em mobile, com versões do site da empresa adaptadas para navegação no smartphone – sempre ligado a redes sociais para gerar estímulo e reconhecimento da marca. "O e-commerce de vinho é um caminho sem volta", concluiu Simon.

Fonte: Diário do Comércio - SP