23/04/13 - Fast-food `alimenta´ franquias

 

A alimentação fora de casa, em especial os fast-food, promete ser uma das áreas com crescimento mais expressivo entre as franquias em 2013, segundo levantamento da Rizzo Franchise.

Para Marcus Rizzo, sócio da empresa, que é especializada em consultoria e pesquisa do setor, o bom desempenho da atividade está ligado ao crescimento da renda da população, que permite novas experiências na área de alimentação. O fast-food continuará tendo grande procura. Também merece destaque o delivery, estimulado pela falta de tempo e segurança nos grandes centros urbanos, observa o consultor.

No ano passado, esse tipo de franquia faturou R$ 8,31 bilhões, valor 8,7% superior ao contabilizado em 2011 (R$ 7,64 bilhões). E, diante de um mercado promissor, 26 empresas começaram a expandir por meio do franchising.

O total de franqueadores passou de 328 em 2011 para 354 em 2012. E 1.077 pessoas aderiram a este setor no ano passado com a compra de uma franquia da área de alimentação / fast-food, tornando-se franqueadas. Mauro Pinhel, que é master franqueado da rede Bob´s e administra 20 pontos de venda da marca em Belo Horizonte e região metropolitana, é um dos que apostam no setor. Tanto, que até o final deste ano pretende chegar a 30 estabelecimentos. "A tendência é de crescimento da alimentação fora do lar. Hoje, é cada vez mais difícil uma pessoa retornar do trabalho e almoçar em casa, ainda mais com a PEC das Domésticas", acredita.

Além de considerar o segmento de alimentação atrativo, Pinhel ressalta que contar com o suporte de uma marca conhecida no mercado é uma vantagem. "Você larga na frente ao aderir a uma boa franquia, tem mais visibilidade e credibilidade", observa. A franqueada da Spoleto, Nara Milet, também disse acreditar que o setor de alimentação oferece boas oportunidades. "Não é só o mercado, eu preferi investir numa franquia por considerar a marca confiável, sólida, além de oferecer um negócio que é de fato viável."

A empresária, que hoje administra três unidades da rede especializada em massas em Belo Horizonte, conta que se formou em nutrição e exerceu a profissão no franchising da rede, durante sete anos. "Com isso, conheci o outro lado do negócio, conheci o padrão de qualidade", ressalta.

Para ela, o mercado é promissor, já que as pessoas têm cada vez menos tempo e precisam se alimentar rapidamente, em especial, nas grandes cidades. "Além de ser um mercado promissor, tenho o suporte da franqueadora. E não preciso me preocupar com o outro lado do negócio, que é o de desenvolvimento de novos produtos", observa.

O franqueado do Giraffas, Marcos Mencarine Lima, conta que ingressou no mercado de fast-food atraído pela marca, que é bem conhecida em Brasília. "No início, a ideia era complementar a renda. Hoje fico por conta das lojas", diz.

A chance maior de obter sucesso através de uma fórmula já consagrada no mercado foi um dos motivos que levou o economista Christian Manduca a optar por uma franquia. "O risco é menor, já que o modelo já foi testado", observa.

Ele conta que já trabalhou em uma indústria de bebidas, só que decidiu se desligar da empresa. "Repensei a minha vida, pesquisei, e o ramo de alimentação foi o que mais se encaixou no meu perfil", diz. Hoje, ele administra cinco lojas da Creps, a última tendo sido inaugurada em dezembro de 2012 no shopping Del Rey, em Belo Horizonte.

O professor de franchising da Fundação Getúlio Vargas (FGV)/IBS Daniel Plá ressalta que uma das vantagens da franquia é a mortalidade menor na comparação com um negócio próprio, totalmente criado pelo empreendedor. "É menor que 20%, enquanto que num negócio convencional, em menos de três anos, oito de um total de dez empresas quebram", analisa.

Para ele, outro ponto favorável à franquia é a credibilidade no mercado, além do suporte oferecido pela franqueadora. O especialista frisa que o interessado em ingressar no segmento de franquias não deve descuidar da empresa por acreditar no respaldo da marca no mercado. "Ele tem que administrar".

Para ingressar no mercado e garantir mais chances de se dar bem, o professor de franchising da Fundação Getúlio Vargas (FGV)/IBS Daniel Plá aconselha cuidados na hora de escolher uma franquia. "Apesar de oferecer certas vantagens, é preciso escolher bem não só o ramo em que pretende atuar, mas também analisar as franqueadoras, suas relações com os franqueados, seus padrões e verificar os balanços dos últimos anos", diz.

O especialista em franquias e sócio da Rizzo Franchise, Marcus Rizzo, ressalta que o empreendedor que decide optar pelo modelo tem que lembrar que ele terá menos liberdade. "Ele compra um negócio pronto, padronizado, com pouca liberdade, mas menos risco", diz.

Para ingressar na área, Plá estima investimentos de R$ 300 mil. "Isso para as boas franquias do mercado, mas podem superar R$ 1 milhão." Há ainda os royalties (pagos pelo uso de uma marca ou produto), que correspondem, em média, a 5% do faturamento, e o fundo de promoção, da ordem de 3%.

Fonte: O Tempo