Originalmente publicado por Paulo Solmucci no site Destrichando

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A moçada já não sonha em comprar um carro. É o que está se passando nos países mais desenvolvidos. Nem liga para grifes. Mochila nas costas, caminha e pedala. Mora em minúsculos apartamentos na área central. Troca os alimentos processados pela comida orgânica. Vê que há muitos sabores, ainda pouco conhecidos, espalhados pela natureza. É preciso desvendá-los e degustá-los. É este o espírito da época.

Os dois mil e quinhentos cientistas do Painel Intergovernamental de mudanças Climáticas da ONU fizeram os cálculos em suas minuciosas investigações. No século 20, a população mundial multiplicou-se por quatro. Mas o consumo multiplicou-se por doze. E, neste início do século 21, a curva empinou para cima ainda mais. Os desarranjos no clima acompanham a escalada: intensificação de secas, inundações, furações, elevação do nível do mar. O que devemos fazer?


Seguir os jovens. Eles nos ensinam. Precisamos redirecionar nossas cabeças para a macroeconomia ecológica. A economia pode crescer, sim, mas com reduzida emissão de carbono. Vamos consumir os produtos que estão ao nosso redor, em um raio, digamos assim, de cem ou duzentos quilômetros. Quem continua buscando o velho consumo, que era guiado por equivocados sinais de status, está completamente por fora. Tão por fora quanto o sujeito preso à armadura do terno e gravata, entalado em uma limusine de alta potência. É o antigo personagem trancado na gaiola de ferro do consumismo.

Assim pensa a moçada. É preciso prestar atenção ao que a garotada nos diz. Os jovens estão dando uma resposta ao tempo. Eles nos alertam para o fato de que 20% da população mundial abocanham 83% da riqueza do planeta. O mundo é cada vez mais lixo e pobreza. E precisa disso? A resposta vem deles em tom muito enfático: não! A nova geração aponta como única saída a mudança no jeito de consumir, se é que queremos a preservação da vida nesta nave mãe. Mesmo que a gente destrua todas as espécies, o planeta continuará existindo, aridamente girando no espaço. O que podemos fazer para fugir do autoextermínio?

Que a gente queime muito menos combustíveis fósseis. Dirigindo menos, andando mais. Passando as férias em um lugar próximo de onde moramos. Consumindo bens produzidos localmente. Que façamos a opção pela verdadeira prosperidade, fortalecendo as comunidades, apoiando a coesão social, gerando emprego ao nosso redor, direcionando a nossa inteligência inovadora para a sustentabilidade.

Saltam aos olhos duas tendências globais: a cidade dos pedestres e uma economia de baixo carbono, com uso intensivo de mão de obra .Isso implica reequilibrar a equação vida-trabalho. Em outras palavras, é imprescindível que se flexibilizem as jornadas empregatícias, para que as pessoas se voltem mais ao convívio da família e dos amigos, bem como ao conhecimento e ao lazer. E lá vão os moços destes trópicos seguindo a pegada da turma do Hemisfério Norte, sem lenço e sem documento, no sol de quase dezembro.


Fonte: Destrinchando