10/07/2017 - Bares e restaurantes se adaptam para não perderem clientela por conta do frio no DF

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O consumo de bebidas quentes registra alta nas últimas semanas

 

 

Aquela vontade de dormir até mais tarde ou de ficar dentro de casa está cada vez mais frequente por causa das baixas temperaturas que atingem o Distrito Federal. Com isso, até mesmo a forma de consumir do brasiliense muda. Bares de ruas vazios, aquecedores se esgotando nas lojas, chocolate-quente em alta e roupas de inverno fazem parte do cenário de Brasília. Comemorado por alguns e indesejado por outros, o tempo gélido promete não dar trégua, pelo menos até meados de agosto, segundo a previsão de meteorologistas.

Para não perder clientes para o frio, muitos estabelecimentos começaram a inovar. No Sudoeste, aquecedores a gás fazem parte do café e restaurante Parfait Croissant Bistrô. A estrutura de metal lembra um poste de iluminação e chama a atenção próximo às mesas. Segundo o gerente do lugar, Frank Lima, o objeto rústico chegou ao estabelecimento há três anos. “Temos dois aquecedores. Cada um custou R$ 3 mil e, geralmente, utilizamos 10 dias por ano. Mas, em 2017, a situação é diferente”, revela. Mesmo com a novidade, o movimento diminuiu cerca de 30% com a chegada do frio. “Na hora do almoço, ainda temos muitos clientes. Mas, à noite, as pessoas estão preferindo ficar em casa”, lamenta Frank.

O chocolate-quente está no cardápio dos brasilienses. O consumo da bebida está em alta durante a temporada de frio. Uma loja especializada no produto registra um aumento na clientela de mais de 30%. Com estabelecimentos na Asa Norte e no Sudoeste, a Kaebisch Schokoladen aposta na fidelização do público. “Muita gente que não conhecia agora nos visita. Tenho certeza de que voltarão”, ressalta a supervisora Laura Vicuna. Com o sucesso, ela destaca que a expectativa é abrir filiais. “Não esperávamos esse frio, mas foi bom para os negócios”, comemora.

O presidente da Abrasel no Distrito Federal, Rodrigo Freire, sugere que cada estabelecimento elabore ações específicas para atrair fregueses durante a temporada gelada. “Cada um tenta se virar como pode. Nessa época, é normal que as pessoas deixem de frequentar alguns lugares. Porém, o movimento diminuiu cerca de 35% no setor”, ressalta. As lojas de departamento e aquelas especializadas em vestimentas de inverno tiveram um aumento de cerca de 5% nos lucros. Para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do DF (Fecomércio), Adelmir Santana, a expectativa é de que esse tipo de segmento permaneça em alta. “Como o frio chegou de surpresa, muita gente está indo às compras”, diz.

 

Lazer e saúde

No início da noite de ontem, a movimentação de pessoas no Pontão do Lago Sul era pequena. Os poucos que decidiram encarar o frio se destacavam entre bares, restaurantes e quiosques vazios. Os estudantes Sibele Lugeel, 21 anos, e Guilherme Gama, 26, escolheram o local para curtir o tempo gelado. Segundo o casal, o clima lembra o início do namoro, que completa dois anos agora. “Estou de férias, acho que por isso estou curtindo mais. Diz a lenda que já fez frio assim em Brasília, mas eu nunca senti”, afirma a jovem. Guilherme não deixa o tempo atrapalhar a rotina. “Continuo acordando cedo e mantendo as minhas atividades. Quase não uso blusa de frio.”

Também no Pontão, a servidora pública Giselle Cruz Silva, 51, não deixou o clima atrapalhar o programa de férias com a filha Leticia, 5. “Ela queria conhecer a pista de gelo, então, atendi ao pedido. Mas confesso que estou evitando sair de casa”, reconhece. Ela também adquiriu novos hábitos com as baixas temperaturas. “Comecei a acordar mais tarde e a comer coisas mais quentes. Na última festa que fiz, a cerveja foi trocada pelo vinho”, revela.

 

Fonte: Correio Braziliense