19/04/2017- Produtores do Nordeste tentam barrar camarão do Equador

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A produção nacional de camarão apresenta dificuldade em atender todo o mercado interno - fato agravado pelo vírus da macha branca

 

Para tentar impedir que carregamentos de camarão vindos do Equador acessem o mercado brasileiro, produtores do Nordeste intensificaram a pressão e mobilizaram as bancadas de seus Estados no Congresso. Se não resolver e os desembarques se concretizarem, ameaçam ir à Justiça.

A pedido da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), as importações de camarão equatoriano "sem cabeça, descascado e congelado" foram liberadas pelo Ministério da Agricultura em novembro.

Os restaurantes se queixam de que a explosão da doença "mancha branca", que não causa riscos à saúde humana mas é mortal para os camarões, derrubou a oferta nacional e impulsionou aumentos dos preços do crustáceo da ordem de 50% no varejo e de 20% em bares e restaurantes.

Em consequência da doença, a produção brasileira recuou 21% em 2016, para 60 mil toneladas. "Os estoques dos grandes restaurantes acabaram em fevereiro. Muitos supermercados vão importar diretamente do Equador", afirmou o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci Junior, ao Valor.

Até agora, entretanto, nenhuma carga do país vizinho está apta a ingressar nos portos brasileiros, pois o país ainda precisa habilitar as empresas exportadoras do Equador e aprovar a rotulagem dos produtos que serão enviados, o que ainda está sendo feito.

Nas últimas semanas Itamar Rocha, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC) e a diretoria da associação tiveram reuniões com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), com parlamentares nordestinos, com o assessor da Presidência da República, Sandro Mabel, e com técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Secretaria Especial de Pesca.

De acordo com ele, enquanto o Equador mantém cerca de 220 mil hectares para criação de camarão em cativeiro, o Brasil conta com 25 mil hectares. Rocha diz que qualquer importação do crustáceo equatoriano impactaria a renda dos criadores brasileiros. Toda a cadeia produtiva brasileira do camarão fatura aproximadamente de R$ 2 bilhões por ano.

Em relação à ameaça da ABCC em processar a União alegando risco de contaminação por doenças com a importação de camarão equatoriano, o secretário da SDA, Luís Eduardo Rangel, diz que, se isso acontecer, o governo vai recorrer.

 

Fonte: Valor Econômico. Para ler a notícia na íntegra, acesse o site.